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Aumenta o número de grávidas precoces em Araucária

Meninas precisam replanejar a vida com a gravidez não planejada. Foto: divulgação

 

A cada ano, mais jovens engravidam numa idade em que outras ainda dormem abraçadas com o ursinho de pelúcia. Preocupado com essa questão, o Ministério da Saúde divulgou essa semana, mais uma ferramenta para direcionar e acompanhar ações de saúde para o cuidado e a prevenção da gravidez em adolescentes. A pasta realiza até o dia 15 de abril, um questionário sobre a quantidade de casos de gravidez nas jovens, com idades entre 10 e 19 anos, que estudam em escolas públicas e privadas de todo o país. O levantamento está disponível juntamente com o EducaCenso 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O objetivo é identificar esses casos, para que ambos os sistemas, saúde e educação, possam realizar ações de prevenção da gravidez na adolescência e qualificar o cuidado a essas gestantes, tanto no que se refere à oferta da educação durante toda a gestação e pós-parto, quanto no que tange às equipes de saúde, para que eles possam atender com pré-natal, possam orientá-las e apoiá-las em todas as etapas.

O questionário pode ser respondido por gestores escolares, como diretor (a), vice-diretor (a), coordenador (a) ou pessoa designada para tal fim. As perguntas giram em torno do número de gestantes que engravidaram em 2018, das que já estavam com o diagnóstico gestacional e se houve interrupção da gravidez durante todo o ano passado. Com isso, será possível identificar quais escolas possuem maior prevalência e onde demanda maior atuação dos Ministérios da Saúde e Educação. Além disso, a expectativa é de que essa ação possa reduzir as vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes na trajetória escolar.

Números locais

Em Araucária, segundo dados do Núcleo de Informações da Secretaria Municipal de Saúde, nos dois últimos anos, houve um aumento no registro de gestantes menores. Em 2017 foram atendidas pela rede pública, 26 gestantes entre 10 a 14 anos, e 273 com idades entre 15 a 19 anos. Já em 2018, foram atendidas 68 grávidas entre 10 a 14 anos, e 690 gestantes entre 15 a 19 anos. Em 2016 estes números eram de 8 gestantes entre 10 e 14 anos, e 357 entre 15 a 19 anos. Já em 2015, foram 17 gestantes de 10 a 14 anos, e 380 de 15 a 19 anos.

Vale ressaltar que as estatísticas são referentes apenas às adolescentes grávidas atendidas pela rede municipal de saúde.

Riscos

Segundo a Saúde, atualmente 17 gestantes estão em tratamento no Pré-Natal de Alto Risco do Centro de Saúde da Mulher (CSMI) de Araucária. Elas recebem um tratamento diferenciado das demais gestantes, com atendimento de atenção integral individualizado. Os riscos da gravidez na adolescência são decorrentes de uma gestação não planejada, indesejada, que muitas vezes cria uma situação de desamparo à mãe. Outro risco é o biológico, quando associado a fatores como desnutrição, acompanhamento tardio, entre outros. Também existe o risco psicossocial, uma vez que a maternidade pode influenciar no abandono escolar e dificultar o acesso das jovens mães ao mercado de trabalho.

Araucária, por meio de metas traçadas no Plano Municipal de Saúde, trabalha com a implementação de projetos específicos para prevenção da gravidez na adolescência e promoção da saúde do adolescente, como foco no direito sexual e direito reprodutivo do jovem, que conscientizam essa população sobre o tempo desejável para engravidar. Há também a distribuição das Cadernetas de Saúde do Adolescente (CSA), com versões masculina e feminina, que orientam o atendimento integral aos adolescentes, com linguagem acessível, possibilitando ao adolescente ser o protagonista do seu desenvolvimento. Outras estratégias incluem a distribuição de métodos contraceptivos nos diversos serviços de atendimento à população.

Estou grávida, e agora?

“Fiquei em choque quando descobri que estava grávida, e ao dar a notícia para minha mãe, ela ficou visivelmente decepcionada, aquilo me deixou sem chão, chorei muito”. O depoimento é da jovem T.A., 16 anos, estudante do 3º ano do ensino médio, que está grávida de sete meses, de um menino. Ela conta que sua última menstruação veio no dia 16 de agosto, ela então esperou até o final de setembro para fazer um exame de sangue e confirmar a gravidez, mas antes disso, já tinha preparado o namorado, de 20 anos. “Até o momento de pegar o resultado do exame eu tinha esperança que desse negativo. Peguei o resultado, e como não entendi bem, marquei uma consulta no postinho e lá a médica me confirmou. E então comecei a fazer o pré natal e os exames necessários. Meu namorado ficou super feliz, era o que ele sempre quis, mas eu não. Diante de tudo isso, o meu maior medo era dar a notícia pra minha mãe, tomei coragem e contei. Ela entrou em desespero, foi uma decepção total. Ela disse que nunca esperava isso de mim, a filha que fazia nada de errado, ao contrário das minhas irmãs. Ela saiu de casa chorando e eu fiquei no meu quarto chorando mais ainda. Quando ela retornou, nem olhou na minha cara e foi assim por uma semana. Mas agora está tudo bem entre nós. Já os pais do meu namorado aceitaram de primeira”, relembra a jovem.

Para ela, a gravidez, até o momento, não interferiu nos estudos e nem na convivência com seus colegas. “Nunca pensei que fosse acontecer isso comigo, por isso nunca me cuidei. Agora quero levar uma vida diferente, estudar e trabalhar para poder dar o melhor para o meu filho”, disse.

A estudante do 3º ano do ensino médio P.O.G., 17 anos, também, ficou em choque ao receber a confirmação da gravidez, mas ao contrário de P.A. contou logo para a mãe, que a apoiou. Já com o pai a reação foi um pouco mais difícil, no começo ele relutou em aceitar a gravidez da filha, mas hoje leva tudo numa boa.

“Meu namorado tem 17 anos, já estamos noivos e pretendemos nos casar em breve para criar nosso filho juntos. Creio que a gravidez não irá atrapalhar meus planos para o futuro, pretendo concluir os estudos e atingir todos os meus objetivos. Estou fazendo meu pré-natal em Curitiba, tenho plano de saúde, e isso tem sido mais tranqüilo. Meus amigos não me condenaram, pelo contrário, eles tem me apoiado bastante”, afirmou.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1152 – 28/02/2019

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