Ao longo das últimas semanas vimos a Câmara de Vereadores sendo o centro das atenções políticas de nossa cidade. Creio, aliás, que desde que acompanho o dia a dia do Poder em Araucária não me recordo de vermos a população de uma maneira geral tão atenta àquilo que acontecia em nossa Casa de Leis.

E, para aqueles que gostam desta gentil tindiquera, não há nada mais animador do que ver o cidadão comum de olho em nossos políticos, seja comparecendo às sessões plenárias, seja se informando por meio da imprensa, seja dando pitaco em redes sociais, seja conversando com os amigos na saída da missa ou mesmo na porta do boteco. Enfim, o importante é participar e mostrar aos nossos políticos que os cargos que eles ocupam não os autorizam a fazer o que bem entenderem enquanto estiverem no Poder.

Assim como é animador ver a população participando e discutindo eventuais tramas de nossos homens públicos, confesso que também me animo ao notar que nossos políticos são sim sensíveis ao grito do trabalhador araucariense. As discussões acerca do número e salários dos cargos em comissão na Câmara, da ampliação ou não das cadeiras no parlamento e do próprio valor dos vencimentos de vossas excelências é a prova disso. Ora, gostemos ou não dos onze sujeitos que integram nosso Legislativo, é preciso reconhecer que eles se comportaram razoavelmente bem quando confrontados com a vontade popular. Cada um a seu modo, eles acabaram entendendo que era preciso recuar em vários pontos de seus viscerais intentos. Obviamente isso não os torna santos, nem os inocenta de outros deslizes que praticaram ou praticam, mas é sim – considerando alguns exemplares da política brasileira – digno de menção e até de certo elogio. Nada muito rasgado, porque político não precisa de elogio, precisa sim é de vigilância constante.

As mudanças que estamos vendo acontecer na Câmara, como a concordância tácita de que não é o momento de ampliarmos as cadeiras de onze para quinze, como a significativa redução no número de cargos em comissão que serviam de assessores de vereadores, além de outras evoluções administrativas que estão sendo adotadas pela Casa são um alento para a nossa comunidade e resultarão num Legislativo muito melhor, senão num curto prazo, em médio, com certeza.

Minha convicção vem da matemática. Além da economia direta que essas mudanças gerarão aos cofres públicos, ainda temos benefícios indiretos. O principal deles é o fato de estarmos diminuindo praticamente pela metade a grana que estava sob tutela dos vereadores. Dinheiro que era exclusivamente utilizado para fazer politicagem, praticar assistencialismo, comprar apoios e, dizem por aí, enriquecer alguns poderosos locais. Sem toda essa grana, o exercício da vereança perde boa parte de seu atrativo financeiro, pelo menos nos moldes como é praticado hoje. Isso deve atrair, espero, novos cidadãos realmente interessados em exercer a função legislativa e, quem sabe, torço, até regenerar alguns dos políticos que estão aí hoje.

No entanto, como as mudanças de hábitos nem sempre acontecem na velocidade que desejamos, não tenho muita esperança que já para a legislatura que começa em 2017 tenhamos grandes mudanças (daí a importância de não ampliarmos o número de cadeiras agora). O que teremos é muito vereador eleito em outubro quebrando a cara quando, ao assumir o mandato no ano que vem, descobrir que o tempo dos grandes esquemas era vidro e se quebrou.

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