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Baile de loucos!


Dia desses tive o prazer de ouvir do prefeito da cidade que existem muitos políticos locais que continuam dançando, mesmo com a música tendo terminado já há algum tempo. A frase era uma alegoria. Uma crítica ao fato de algumas autoridades municipais insistirem em querer fazer política em tempos de crise utilizando o mesmo modus operandi dos tempos de bonança financeira.

A frase dita por Olizandro é excelente. Mas seria perfeita se proferida por um político que também já tivesse parado de dançar. Sim, porque o prefeito insiste em dar seus passinhos desajeitados aqui, arrastando o pé acolá e assim por diante. Há quem diga que faz isso para garantir um mínimo de governabilidade. Afinal, em política, as mudanças não acontecem simplesmente de uma hora para a outra. Dando continuidade ao exemplo usado pelo prefeito, é como dizer que – em política – a música não é interrompida de uma hora outra. Ela vem seu volume reduzindo, reduzindo, até se encerrar por completo.

Penso que a teoria do volume da música ir diminuindo aos poucos é o mais adequado em nossa comunidade. Creio ainda que não são apenas os políticos locais que insistem em continuar dançando. Em Araucária, boa parte do funcionalismo e da população segue na pista, requebrando o esqueleto.

Por anos, com a música tocando alto, com o álbum “Só as Melhores da Repar” nas paradas de sucesso, jorrando dinheiro nos cofres municipais, nos deleitamos. Alguns mais, outros menos, mas todos participamos do arrasta pé. Infelizmente, porém, não aproveitamos esses momentos de bonança para aprender a compormos nossa própria música e isso faz com que, agora, com o volume da última faixa de sucesso do orçamento de outros tempos quase inaudível não saibamos direito o que fazer: seguimos dançando mesmo sem música, feito uns idiotas, ou nos arriscamos a escrever um versinho aqui, fazer uma riminha ali?

Se tivéssemos investido corretamente a grana de Araucária em áreas vitais para o nosso desenvolvimento, como Educação e infraestrutura, tenho certeza, hoje teríamos vários cantores de sucesso por estas bandas e a música nunca pararia. E, o melhor, música boa. Mas não fizemos, gastamos muito com assistencialismo, jogamos rios de dinheiro no serviço público sem exigir, em contrapartida, trabalho de qualidade, só para ficarmos em dois exemplos.

Por termos falhado tanto no passado é que agora todas as medidas que precisam ser tomadas são traumáticas. Desde a exoneração de meia dúzia de comissionados, o corte de horas-extras de outra dúzia de efetivos, a impossibilidade de construir uma escola aqui e de oferecer um médico especialista ali. Tudo parece ser o fim do mundo. Tudo parece ser o fim da carreira política do responsável por estes atos, tidos como impopulares. Todos eles, no entanto, são necessários e esta cidade precisa de homens com a coragem de praticá-los. Em jogo não está mais esta geração de araucarienses. Por mais cruel que seja dizer isto, há pouco que o poder público possa fazer por esta geração. No entanto, ainda é possível salvar a próxima década, a próxima leva de nascidos aqui. Para tanto, a constatação de que a música não está tocando mais não pode ficar apenas no discurso. Precisa passar para atitudes.

Boa semana a todos e até uma próxima! Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br!

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