ter. set 22nd, 2020

O marasmo cultural de nossa cidade, consequência de uma apatia agressiva, é algo visceral, endêmico e, pelo jeito, sem perspectiva de uma solução, não num médio prazo. Porém, quando vemos uma reportagem como a que abre nossa página sete desta edição dá até para ter a impressão que bons ventos trazem alguma agitação nesse cenário. Mas é só impressão. Os ventos vieram de Curitiba. O projeto em questão, onde um maestro da Capital se articulou e conseguiu viabilizar seu projeto por meio da Lei Rouanet, foi abraçado pela Prefeitura que, sem lá muitas, ou quase nenhuma, ação atividade cultural própria, está se mobilizando para conseguir doações de empresários. Mas o problema não está só na Prefeitura. Já é mais do que sabido que políticos, principalmente em nossa cidade, não agem, apenas reagem.

O cerne na questão está justamente na comunidade local ligada à cultura que, salvo algumas guerreiras exceções, é como aqueles filhotinhos de passarinhos no ninho com as boquinhas abertas e os olhinhos fechados esperando que a mãe venha e jogue a comida goela abaixo e, de preferência, já mastigada. Reclamar todos sabem, mas correr atrás de projetos que cumpram as exigências das empresas e entidades com recursos para investir nesta área ninguém quer.

Se, como no caso dos passarinhos, depois de alimentados por certo período, nossos artistas crescessem e voassem com as próprias asas, até haveria uma justificativa para uma ação mais contundente do poder público. Mas, infelizmente, casos assim por estas bandas são exceção. Aqui, se o sujeito consegue a boquinha, aproveita ela ao máximo, bem quietinho, sem utilizar esse apoio para se preparar para o voo solo.

Por isso, esse tal pianista Ben Hur Cionek merece nosso respeito. Tomara que seu trabalho, além de levar a oportunidade para tantas crianças de entrar no mundo da música, ainda, de quebra, mexa com os brios do pessoal aqui de Araucária. Pense nisso e boa leitura.

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