Ao longo dos últimos anos, não há dúvidas, o avanço da tecnologia diminuiu o distanciamento entre as pessoas. Hoje, é possível conversar com um amigo ou parente lá do outro lado do mundo por meio da internet. Da mesma forma, essa instantaneidade nos possibilita acompanhar em tempo real os fatos que acontecem nos mais diversos cantos do planeta. Preocupa-me, no entanto, o fato de, mesmo estando tão próximos, nos preocuparmos cada vez menos com os interesses da coletividade. Nunca o cada um por si esteve tão presente em nosso dia a dia.

Vejam, por exemplo, o que se passou no Paraná na última semana. A praça de guerra que se tornou o Centro Cívico por conta da lei que promoveu alterações na forma de custeio de parte das aposentadorias bancadas pela Paraná Previdência evidencia bem isso. De um lado tínhamos um governador louco para aprovar um documento que aliviaria o caixa do Estado, o que possibilitaria que ele ganhasse uma sobrevida financeira para que os quatro anos de seu mandato não sejam um fiasco e do outro uma classe de funcionários brigando para que ele não conseguisse acessar esses recursos por medo de que no futuro essa grana faça falta no pagamento de suas aposentadorias. Havia ainda um terceiro grupo interessado somente no desgaste político do governo, que aproveitou a oportunidade para se travestir de defensor do funcionalismo, na esperança de que a popularidade sugada de Beto Richa vá lhe beneficiar num pleito futuro.

Ou seja, nenhum desses lados estava realmente preocupado com a coletividade. Estavam e estão todos preocupados com o próprio umbigo. E aqui, abro parênteses, para me denunciar. É que também sou servidor público e mensalmente parte do meu salário é descontada para alimentar a Paraná Previdência. Por esta razão, também não gostei nada, nada desse projeto.

Obviamente, esse egoísmo não é algo que vemos somente na classe política e no funcionalismo. Infelizmente, de uma maneira geral, todos os segmentos de nossa comunidade são assim. Dia desses, por exemplo, vimos outra batalha campal sendo travada no terminal Vila Angélica por conta das mudanças na integração do transporte coletivo. A causa era e é nobre, mas somente os usuários dos ônibus parecem verdadeiramente preocupados com ela. Também muito recentemente tivemos trabalhadores de Araucária lutando para criar instrumentos que inviabilizem a contratação de pessoas de fora da cidade em obras realizadas em nosso polo industrial. Ou seja, para garantir o seu emprego eles não se preocupam em tirar o emprego de quem é de fora. Os caminhoneiros, numa outra frente, também fecharam rodovias exigindo direitos, pouco se importando para as demais pessoas que precisam utilizar aquelas vias. E esses são apenas alguns casos.

Meu medo, confesso, é que não tarde o dia em que, ao invés de entendermos que o ideal seria que unificássemos nossas lutas para que a sociedade como um todo se desenvolvesse, optemos por brigar cada um na sua trincheira, com suas armas, instituindo um verdadeiro salve-se quem puder!
Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Boa semana a todos!