Home / Notícias / Geral / “Cãodomínio” no Costeira causa polêmica

“Cãodomínio” no Costeira causa polêmica


Quem quiser adotar um cãozinho pode entrar em contato com as voluntárias

Quem quiser adotar um cãozinho pode entrar em contato com as voluntárias


Dona Lenita doa seu tempo e dinheiro para tratar dos cães, mas pede mais fiscalização

Dona Lenita doa seu tempo e dinheiro para tratar dos cães, mas pede mais fiscalização

Todos os dias antes e depois do trabalho, a jovem Mônica Alcântara separa alguns minutos de seu tempo para dar atenção e alimento a dezenas de cães abandonados na rua José Gondek. A ação iniciou há quase dois anos, quando ela e a mãe Lenita Gonçalves perceberam como os animais estavam sofrendo no local. “Eles eram abandonados em situação precária ali, então sofriam devido aos ferimentos e ainda passavam fome. Dava muita dó!”, contam.

Vendo a situação e percebendo que ninguém fazia nada para ajudar, elas decidiram aliviar a dor dos bichinhos. “Começamos a cuidar dos cães machucados, dar ração e levá-los para feiras de adoção preparadas pela ONG Bicho Não é Lixo. Nesses dois anos, nós já tiramos mais de 100 cachorrinhos dali”, conta Mônica.

Além de levar para as feiras, elas também decidiram adotar alguns amigos peludos e acabaram levando para casa quase 20 cachorros. “É um gasto imenso, mas Deus tem nos abençoado para que nunca falte nada em nossa mesa e para que continuemos cuidando dos nossos cães e dos outros que ainda não acharam um lar. Inclusive, temos uma voluntária de Curitiba que auxilia mensalmente na compra de ração para os abandonados”.

No entanto, ainda que elas contem com a ajuda de algumas pessoas, o problema parece não ter fim. “A gente tira 10 animais de lá hoje, mas amanhã aparecem mais 10. Só no dia 24 de dezembro, por exemplo, abandonaram 13 filhotes no loteamento. É um problema social terrível e as pessoas precisam se conscientizar a respeito disso”, afirma dona Lenita.

De acordo com Stela Santos, presidente da ONG Bicho Não é Lixo, a situação é realmente preocupante e precisa da atenção das autoridades. “Nós poderíamos fazer muitos projetos de conscientização e incentivo à adoção, mas precisamos contar com o apoio de alguma secretaria e até de advogados que nos auxiliem”, afirma.

Além disso, ela acredita que algumas mudanças deveriam acontecer urgentemente em Araucária. “Precisamos de uma fiscalização intensa direcionada somente para esses casos de abandono e maus tratos, campanhas de castração pela cidade e deveriam transformar o Centro de Controle de Zoonoses em uma casa de passagem para animais de rua, pois Isso já existe em capitais como Curitiba”, enumera.

No entanto, ela e as demais voluntárias entendem que mudanças assim demoram e, por isso, pedem um favor simples ao CCZ. “Precisamos que as ca­delas que estão abandonadas aqui sejam castradas”.

O outro lado da moeda

Segundo a coordenação do CCZ, já existe um programa de castração oferecido aos animais vítimas de abandono com intuito de auxiliar no processo de adoção. “Inclusive, a mesma ação é feita em cães de famílias comprovadamente de baixa renda”, informa.

Porém, a entidade adianta que a ação pode ser pausada pelos próximos três meses devido às reformas no local. “Iniciamos as obras na última segunda-feira, 21 de dezembro, e o único serviço que sofrerá alteração é a cirurgia de castração”, explica a coordenadoria, que afirma que a microchipagem e a vacinação antirrábica vão continuar.

Soluções a curto prazo

Dessa forma, o que resta para a população é adotar os animais que já estão no local e denunciar o abandono. “Esses cães precisam de atenção e nós não podemos largá-los para morrer. Então, quem puder levar um deles para casa e dar os cuidados que precisa pode entrar em contato com a gente pelo telefone 9935-8054 ou vir direto ao loteamento”, solicita Mônica.

Já para denunciar o abandono, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente explica que é necessário ter provas do fato, re­gistrar um boletim de ocorrência e entrar em contato com a SMMA pelo 3614-7480. “Nós precisamos de embasamento para procurar a pessoa e notificá-la, então é importante tirar fotos, anotar a placa do carro e reunir o máximo de informações que conseguir”, informa Eduardo Padilha Pinto Junior, diretor do Departamento de Controle Ambiental.

Após reunir as provas, o autor do crime pode responder junto à Prefeitura pela Lei Municipal 2159/2010 ou criminalmente pela Lei Federal 9605/1998. “Lembrando que a multa varia entre R$ 50,00 e R$ 5.000,00”, finaliza o diretor.

Visão do CCZ

O Centro de Controle de Zoonoses de Araucária admite que não é favorável à ação que as voluntárias e a ONG Bicho Não é Lixo realizam atualmente no loteamento da rua José Gondek. Segundo a entidade, “no terreno baldio citado foi construído um abrigo para manutenção de animais já cuidados por elas”.

Por isso, o CCZ acredita que, a partir do momento em que este local foi estabelecido, ele se tornou um ponto de abandono. “E não o contrário como foi citado. Sem contar que há divergências para a situação que se vê no local, principalmente no que diz respeito ao bem-estar animal e até mesmo das voluntárias”, pontua.

Texto: Raquel Derevecki / FOTOS: MARCO CHARNESKI

Sobre Redação

Redação

One comment

  1. Avatar

    O ccz ficou tanto tempo fechado que virou ruinas,sabia que 2016 ia operar milagres.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios *

*