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Co-responsável!


Dia desses estava eu aguardando para pagar meu almoço na fila de um restaurante da cidade quando fui abordado por outro morador desta Gentil Tindiquera. Ele me reconheceu. Disse que gostava de meus textos, que sempre os lia. Eu agradeci. Ele então fez uma ressalva, preferia os textos mais diretos àqueles em que eu relatava situações do meu cotidiano para depois introduzir o tema que abordaria. Ou seja, este tipo de narrativa que eu estou fazendo agora não é a sua predileta.

Feito esse comentário inicial, ele começou a dar sua opinião sobre a retirada das lombadas que a Prefeitura está promovendo. Disse que as ruas estavam melhor para trafegar. Ponderou que a cidade possuía muitos desses redutores de velocidade e que já havia passado da hora de uma medida assim. Em seguida, lamentou o fato de, infelizmente, estarem havendo acidentes em trechos onde essas lombadas estavam instaladas. Acrescentou, no entanto, que na opinião dele a culpa disso era exclusivamente dos motoristas envolvidos e não do poder público.

Foi neste momento que olhei para frente. Vi que ainda faltavam cinco pessoas para chegar a minha vez de pagar. Pelo menos duas senhoras que estavam na fila eram funcionárias da Prefeitura, pagariam com o cartão do vale-alimentação, isso me dava mais alguns minutos, já que a maquininha do Vale Mais às vezes demora um pouco para passar. Sim, dava tempo para uma argumentação rápida sobre o assunto com meu interlocutor.

Concordei com ele no que diz respeito ao excesso de lombadas em Araucária e com a parte de que a responsabilidade primeira de eventuais acidentes era dos motoristas envolvidos. Discordei, no entanto, com a simples exclusão da Prefeitura deste polo passivo. Entendo que cada acidente ocorrido por excesso de velocidade num trecho em que antes havia uma lombada é sim um pouco responsabilidade do administrador que determinou sua retirada. Isso porque é, no mínimo, irresponsabilidade daquele que detém o poder de polícia administrativa simplesmente remover um redutor de velocidade de qualquer ponto do Município sem substituí-lo por outro ou sem dados concretos de que avançamos enquanto sociedade no que diz respeito ao nosso grau de educação no trânsito.

Ora, é claro que ninguém gosta de uma lombada, mas num país que mata tanto no trânsito, como é o caso do Brasil, ela é sim um meio de disciplinar os chamados direitos individuais (neste caso e de não ter lombadas), de forma a ajustá-los aos interesses e ao bem-estar da coletividade (neste caso e de segurança para motoristas e pedestres).
Não é possível simplesmente lavar as mãos do administrador aos acidentes que estão e/ou vão acontecer nesses trechos onde foram retiradas as lombadas. Se fosse assim, deveríamos fazer o mesmo com todos os outros casos em que o ente público exerce seu poder de polícia como meio de disciplinar a vida em sociedade. Todos os dias, mesmo com as pessoas sabendo que precisam pagar o EstaR, taxas de alvará, licenças da vigilância sanitária, impostos de uma maneira geral, vemos a Prefeitura tendo que agir porque muitos de nós não obedecem tais regras. Somos seres imperfeitos, cometemos ilícitos diariamente, seja de maneira dolosa ou culposa e é justamente por conta disso que foram criadas diversas formas de sermos contidos por alguém com poderes para arbitrar regras para melhorar a vida em sociedade, no caso o Estado. E, ao Estado, não é permitido ser omisso no exercício desse dever de polícia. Logo, acidentes causados por imprudência no trânsito em trechos onde antes havia uma lombada sempre terão sim um dedinho de culpa de quem mandou simplesmente tirá-la dali.

Quando conclui essa frase, não deu outra, ouvi o tradicional “próximo”. Despedi-me do meu interlocutor, paguei meu almoço e fui embora. Como, aliás, estou fazendo agora. Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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