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Colapso


Ao longo da semana passada, vários funcionários da Prefeitura de Araucária conversaram comigo e relataram seu descontentamento com o fato de o prefeito não ter cumprido a promessa de mandar pagar, juntamente com o soldo de julho, as progressões devidas à categoria. Confesso que tais diálogos me causaram preocupação, vez que a grande maioria dos servidores com os quais conversei já haviam comprometido o valor referente ao pagamento das progressões, fosse com a quitação de dívidas pré-existentes ou com novas aquisições.

Admito, no entanto, que, embora as conversas tenham me causado preocupação, não causaram surpresa. Afinal, não é de hoje que é sabido que razoável parcela do funcionalismo municipal anda completamente endividada. Num primeiro momento, alguns podem considerar que este não é um problema da coletividade. Ledo engano. Considerando que estamos falando de funcionários públicos, responsáveis diretamente pelos mais diversos tipos de atendimentos a comunidade, penso que – sim – a Prefeitura de Araucária, não de hoje, já devia ter metido a colher neste assunto, pois – admitamos ou não – as dificuldades financeiras afetam diretamente a nossa produtividade no ambiente de trabalho.

Ora, já passou da hora deste Município, enquanto empresa com mais de cinco mil funcionários, ter uma política de recursos humanos séria. E isto passa, necessariamente, por educar o funcionário e fazê-lo compreender que dinheiro não é tudo. Passa também pela necessidade (talvez ainda mais difícil) de termos gestores públicos que parem de tratar os servidores como mercenários, oferecendo vantagens e mais vantagens financeiras… É uma função gratificada aqui, mais uma hora-extra ali, participação numa comissão acolá e assim vai se viciando o servidor cada vez mais, até que ele se torne um completo dependente de dinheiro.

Penso, sinceramente, que o funcionário público de Araucária não ganha mal. Os vencimentos são razoáveis. E, em alguns casos, até exagerados. Nosso maior problema é como está sendo gasto este dinheiro. Estamos caminhando a passos largos para o dia em que a Prefeitura não poderá atender as necessidades financeiras de seu quadro de pessoal. Por isso, precisamos urgentemente de um programa de educação financeira para os servidores municipais. Não é aceitável que tenhamos funcionários inclusos em todos os serviços de proteção ao crédito deste país, renegociando mensalmente dívidas, aceitando vender seu cartão de vale-alimentação por R$ 220, concordando em trabalhar todo final de semana em troca de uma extrazinha, tendo boa parte de seu salário retido pela ASPMA por conta de empréstimos consignados e refinanciados sabe-se lá quantas vezes e sofrendo perseguições e todo tipo de humilhação de seus superiores por medo de perder uma gratificação. É lamentável.

E vocês, amigos leitores, o que pensam sobre o assunto? Até semana que vem

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