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Com os dias contados!


Lá estava eu na fila do açougue. A fila estava grande. Era sábado, dia de ir ao açougue. Como é normal em Araucária, dificilmente você fica numa fila, seja ela da lotérica, quitanda, mercado, sem encontrar um conhecido. Desta vez não foi diferente. Desta vez o conhecido, aliás, já havia algum tempo que não encontrava.

Uma troca de cumprimentos rápida e veio a pergunta: “e a política, como anda?”. Pronto, a pessoa tinha a minha atenção. A propósito, me irrito comigo mesmo por me deixar seduzir tão fácil quando a prosa é sobre política. Mas, fazer o quê, esse é meu fraco.

Mas, voltemos ao assunto. Respondi ao meu interlocutor com a frase padrão: “ah, agora as coisas começam a esquentar. Eleição por começar”. Pronto, dito isto, passei a bola pra ele. Como não poderia deixar de ser, ele emendou dizendo que as pessoas estão bastante descontentes. Acrescentou que pretendia votar em certo candidato porque ele iria acabar com os cargos em comissão, que não era admissível que Araucária tivesse tanto CC sem fazer nada na Prefeitura e na Câmara. Eu, como bom ouvinte que sou, só balançava levemente a cabeça e ele se empolgando. Quando finalmente concluiu sua fala e eu iria novamente iniciar a minha, ouvi uma terceira voz. Ela gritou: próximo! Sim, era o açougueiro. Despedi-me, fiz meu pedido e daí não lembro mais de ter visto meu conhecido. Confesso que fui pra casa frustrado. Odeio ter uma conversa interrompida assim, abruptamente, sem que eu consiga dar minha opinião.

É por isso que eu resolvi escrever esse texto. Essa seria minha tréplica naquele bate-papo na fila do açougue. Pois então, confesso que considero o número de cargos em comissão existentes tanto na Prefeitura como na Câmara excessivo, mas – ao contrário do que imagina o senso comum – foi-se o tempo em que a simples demissão de todos os CCs resolveria o problema das finanças públicas do Município.

Justamente por isso, o candidato que defende a exoneração de todos os comissionados como a fórmula mágica para resolver o problema de nossa cidade não será um bom gestor. Chegamos a um ponto que a redução drástica do número de CCs na Prefeitura a partir de 2017 não deve ser encarada como proposta e sim como uma mera obrigação administrativa que o prefeito, seja ele qual for, terá que tomar. Obviamente, estou falando aqui sob a perspectiva eleitoral, pois, se eu fosse o atual prefeito, exoneraria todos os comissionados já, de modo a diminuir o déficit orçamentário e financeiro que se avizinha nas contas municipais.

Mas voltemos à conjectura eleitoral. Digo que a próxima gestão, seja ela qual for, não poderá contratar comissionados, simplesmente porque não há mais margem financeira para contratar esses servidores sob o risco de não haver recursos para manter o salário em dia do corpo de efetivos. E isso não é chute! Não é opinião! É fato! É análise nua e crua dos números das finanças municipais!

Logo, para aqueles que ao longo dos anos sempre despejou a culpa de tudo o que não deu certo em Araucária nas costas dos comissionados, fica o alerta: será preciso arrumar outro boi de piranha. Ou isso, ou criamos vergonha na cara e encaramos nossos verdadeiros fantasmas!

E, aos candidatos que eventualmente estejam mesmo usando como principal bandeira de campanha acabar com o grosso dos CCs, fica a dica: pensem numa outra tática, pois o sepultamento dos cargos em comissão é algo que a realidade nua e crua da falta de recursos públicos já se encarregou de providenciar.

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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