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Comemorar ou não do Dia dos Professores


Próximos ao dia 15 de ou­tubro, somos frequentemente chamados a opinar sobre as comemorações do dia do professor. Alguns, convencidos de que não há o que comemorar, elencam todos os problemas ainda não superados pelas políticas aplicadas no setor educacional: baixos salários, precárias condições de trabalho e jornadas exaustivas; turmas superlotadas; ausência de políticas de formação inicial e continuada adequadas às necessidades do professor; violência e adoção de modelos empresariais de gestão que consideram o professor como obstáculo à melhoria da qualidade do ensino.

Outros, com a consciência amortecida pelo excesso de propagandas oficiais, elaboram a pergunta, mas já estão com a res­posta na ponta da língua. Consideram que estamos a um passo do paraíso e a nossa principal dificuldade é reconhecermos todos os avanços implementados no setor educacional. Acham que talvez estejamos acometidos de uma teimosia estéril, de uma certa rebeldia juvenil, que nos impede de enxergar os esforços para consolidação de políticas de valorização profissional.

Entretanto, ao contrário de ficarmos limitados a encontrar respostas objetivas para esses questionamentos, precisamos refletir sobre a essência dos problemas educacionais no Brasil. Nas últimas décadas, o movimento sindical do setor educacional vem combatendo os problemas estruturais que afligem a educação e seus profissionais. O SISMMAR tem pautado a sua atuação conjugando a luta por uma educação pública de qualidade social, com profissionais efetivamente valorizados, com a luta permanente pela superação do projeto de dominação das classes populares, concebido pelas elites, no processo histórico de cons­trução do modelo educacional brasileiro.

É nessa direção que conduzimos a nossa luta cotidiana. Combatendo as políticas que priorizam maquiar a realidade em detrimento de transformá-la. Contrapondo-se à lógica daqueles que consideram cada estudante um simples número nas pesquisas nacionais. Conscientes da importância do professor, do seu papel estratégico na sociedade, e da sua disposição de luta, comemoraremos sempre o dia 15 de outubro, apesar de tudo que ain­da precisamos conquistar.

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