As mudanças promovidas pelo Congresso Nacional nas eleições deste ano tornaram o pleito mais curto. Para os descontentes com os políticos isso pode até parecer um avanço. Porém, para aqueles que param um pouco mais para pensar sobre o assunto, essa diminuição do tempo de campanha num momento tão conturbado de nosso país pode fazer com que acabemos comprando gato por lebre.

Particularmente sou a favor desse encurtamento do período de campanha, mas creio que ele veio em má hora. Isso porque a mudança não é fruto de um amadurecimento político de nossa população e sim uma resposta justamente dos políticos ao desgaste que eles vêm sofrendo em razão dos trambiques que volta e meia eles são flagrados praticando. Nossos deputados venderam essas alterações como uma resposta da classe aos anseios da comunidade quando, na verdade, o que eles pretendiam mesmo era nos engabelar para que não tenhamos tanto tempo assim para analisar o que eles andam falando em campanha.

Para piorar tudo isso, as eleições municipais deste ano estão acontecendo em meio a uma série de outros eventos que, admitamos ou não, acaba desfocando a nossa atenção. Ora, como parar e analisar as propostas, a biografia, a viabilidade, enfim, a conjuntura toda do que dizem nossos candidatos se, simultaneamente, temos os jogos olímpicos acontecendo em solo brasileiro? Ora, como prestar atenção no que dizem aqueles que querem nos governar se há um processo de impeachment do presidente da República em andamento? Ora, como analisar se aqueles que querem ocupar uma vaga na Câmara têm mesmo o preparo para isso com as Paraolimpíadas nos emocionando com exemplos e mais exemplos de superação? Ora, como comparar os currículos e antecedentes dos que querem ocupar o quarto andar do Paço Municipal ao mesmo tempo em que torcemos para que o sacana do Eduardo Cunha seja cassado? Enfim, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

E, para fechar o pacote, quando finalmente achamos que poderíamos parar para prestar atenção somente no processo eleitoral municipal, somente nas propostas dos mais de 170 candidatos a vereador e nos sete que querem a cadeira de prefeito, vem o rio São Francisco e me leva o Santo da novela Velho Chico! Daí é pra acabar mesmo! Ora, como nos concentrarmos no melhor para a nossa cidade com tantos eventos externos insistindo em tomar a nossa atenção?

Nossa sorte é que ainda faltam dez dias para as eleições municipais e, com um pouco de disposição e foco, ainda é possível dar uma boa analisada em nossos candidatos a prefeito e a vereador e, com um pouco de sorte, não errarmos muito na hora de escolher aqueles que serão responsáveis por ditar os rumos desta pobre cidade rica nos próximos quatro anos!

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By Waldiclei Barboza

Waldiclei Barboza é jornalista da editoria de Política de O Popular do Paraná desde 2005. Sempre às quintas-feiras, publica neste espaço e na edição impressa de O Popular uma Coluna sobre o dia a dia da política local.

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