Dia desses parei para abastecer meu carro num posto de combustíveis da cidade. O tanque já estava na reserva. Pedi para completar. O frentista me perguntou se o pagamento seria no dinheiro ou no cartão. Preferi a segunda opção. Ele pediu para que eu me dirigisse até o caixa.

Desci do carro e fui até a loja de conveniências. Para meu azar, e sorte do posto de combustíveis, teria que esperar algumas pessoas serem atendidas até que chegasse minha vez. Eram quatro pessoas. O problema de fila de caixa de posto de combustíveis é que o balcão é muito colorido, com uma variedade enorme de guloseimas à disposição do cliente e isso, invariavelmente faz com que as pessoas levem mais tempo do que o previsto para concluir o seu pagamento. Ela até chega ali disposta a pagar somente a gasolina, mas diante daquele arco-íris de doces, decide levar nem que seja uma goma de mascar. E decidido isso, vem outra dúvida: qual sabor de goma de mascar. Afinal, são tantos.

Pode até parecer exagero meu, mas sempre que chego e encaro uma fila numa loja de conveniências, fico ali tentando apressar mentalmente as pessoas que estão em minha frente. Desejando que elas não gostem de doces e coisas do gênero. Quase sempre, no entanto, minha torcida de nada adianta. E, para variar, foi o que aconteceu nesta oportunidade. Derrotado na missão de fazer a fila andar mais rápido, senti um toque em meu ombro.

Virei-me e o reconheci: um velho conhecido. Cumprimentos feitos, ele começou a falar de política.
Perguntou-me o que eu achava dessa ideia da Secretaria de Meio Ambiente de cortar algumas dezenas de árvores da Victor do Amaral. Não entendo muito de árvores, quando elas devem ou não ser cortadas, podadas, essas coisas. Preferi então me sair com uma brincadeira. Disse que, pelo que ouvi dizer, já estavam chamando o secretário de Meio Ambiente, Vitor Cantador, de Vitor Lenhador. Ele não riu. Aquilo me derrubou. Já havia contado essa piada para umas dez pessoas e todas riram.

Ele insistiu em dizer que o corte das árvores era um absurdo. Olhei para o início da fila, para ver quanto tempo eu tinha. Havia três pessoas em minha frente. E a que estava sendo atendida ainda não havia decidido se o melhor era levar uma bala ou uma goma de mascar. Ou seja, havia tempo. Olhei para o meu conhecido e o questionei se era possível que alguém ainda, em pleno século XXI, sentisse algum prazer em cortar árvores. Ele disse que não. Perguntei se as árvores que seriam cortadas, eventualmente, poderiam ser vendidas, gerando algum tipo de lucro para a Secretaria de Meio Ambiente. Meio irritado, ele me disse: é claro que não. Foi então que emendei: mas porque diabos então alguém iria cortar aquelas árvores só por cortar, caramba? Ele não soube me responder.

Ora, é claro que existe uma razão técnica para aquelas árvores estarem sendo cortadas. Talvez eu não concorde com elas, mas isso não torna o estudo feito pelos engenheiros da Secretaria de Meio Ambiente menos válido. Não há, salvo melhor juízo, nada que os desabone, nada que indique que eles estão agindo com interesses predatórios e coisas do gênero.

E, quando olhamos o plano de arborização como um todo (e eu tive esta oportunidade), os argumentos feitos pela Secretaria de Meio Ambientes fazem muito sentido. Obviamente, em tempos que a administração pública goza de tanto descrédito, é natural que as pessoas desconfiem da efetivação do plano como um todo. Do mesmo modo, é compreensível que tenhamos dificuldades em enxergar o projeto de arborização da Victor concluído, já que levará dez anos para que as árvores que substituirão as que serão extraídas agora alcancem o estágio adequado. No entanto, em que pese todas as desconfianças, é preciso sim preparar esta cidade para o amanhã. Do contrário, daqui a alguns anos, estaremos é reclamando por não termos agido antes, seja na questão da arborização e/ou tantas outras que precisam ser mexidas em Araucária.
Dito isto, ouvi uma voz feminina. Era a moça do caixa. Ela perguntou: só a gasolina? Respondi, não vou querer um “tridente”… só deixa ver qual sabor…”

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