Toda criança já ouviu aquela pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”. Muitas falam, cientista, bombeiro, policial, astronauta… Durante o seu desenvolvimento muitas mudam de ideia, algumas ainda persistem, mas quando “viram adultos” acabam se enquadrando em profissões ditas mais práticas, funcionais, deixando, às vezes, seu sonho para trás.O professor também sonhou em ser professor. Quando pequenina era o meu desejo de criança. Desejo não abandonado e sim conquistado. Mas o professor que eu me via, me espelhava, era aquele dentro da sala conduzindo o aprendizado pela mão, levando os alunos para observar na prática fora da sala, interagindo a todo momento com o aluno, construindo a aprendizagem no dia a dia.

Hoje vemos professores sozinhos, distantes fisicamente dos seus alunos, dando aulas virtuais, sem ter aquele “feeling” que todos nós educadores precisamos para nos sentirmos completos.

E o que os professores fizeram? Foram se reinventar, estudar, inovar, mas não desistiram da sua função principal que é ensinar.

Tudo isso uma hora vai passar, as escolas novamente estarão cheias e felizes e os professores fazendo o que mais gostam, além de ensinar, que é interagir.

Neste período que estamos passando todos precisaram aprender coisas novas, novos modos de viver, conduzir os processos. Posso te garantir que a falta que a sala de aula faz ao professor é insubstituível.

Paulo Freire já dizia: “A pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel. Recusa acomodar-se, mobiliza-se, organiza-se para mudar o mundo.” Está aí definida a presença do professor que não se deixou abater mesmo diante de tantos desafios pessoais e profissionais, para não deixar de fazer por aqueles que assim o esperam: seus alunos.

Por isso te digo: Aplauda um professor. Ele também está fazendo muito pela população neste período. Saibam que a nossa preocupação com o outro também é enorme. Imaginem como os professores estão se sentindo agora sem ver o aluno, ministrando aulas “no escuro”, difícil, não é?

Termino minha reflexão com uma frase de Rubem Alves que acredito exprimir todo o sentimento docente: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…”

Texto: Swelen Freitas Gabarron Peralta, é professora dos anos iniciais da Prefeitura Municipal de Araucária há 10 anos, hoje faz parte do Departamento de Articulação Pedagógica.

Publicado na edição 1224 – 06/08/2020