Araucária é mesmo uma cidade estranha. Digo isso porque, nos últimos dias, presenciei algumas pessoas se manifestando contrariamente à implantação da gratuidade da tarifa do TRIAR aos alunos das escolas públicas da cidade. Ora, num município normal, não celebrar uma conquista histórica como essa seria capaz de rubrar até um albino.

Não há, por qualquer prisma que se olhe, como condenar a Prefeitura pela implantação de uma política pública efetiva como essa. Ainda mais em tempos que, como se sabe, a economia vai mal, o que faz pesar ainda mais o custo do transporte escolar para as famílias araucarienses, principalmente aquelas de menor poder aquisitivo.

Os tempos andam tão insanos que, quando da votação do projeto de lei que autorizava o prefeito Hissam Hussein Dehaini (PPS) a implantar a isenção do TRIAR aos alunos da rede pública, vi – pasmo – empresários do transporte escolar criticando a medida porque elas seriam prejudiciais aos seus negócios. Confesso que pisquei, esfreguei os olhos, limpei os ouvidos, tudo para me certificar que estava mesmo vendo e ouvindo aquilo. Infelizmente, era verdade. Uma pena. Pena porque esses proprietários de vans, na ânsia de não terem seus negócios, digamos assim, prejudicados, não conseguem entender que sua atitude se equipara ao que outrora foi feito pelas grandes companhias farmacêuticas que, para não perder dinheiro, foram contra a quebra de patentes de medicamentos que possibilitaram o acesso de certos remédios a milhões de pessoas. Aliás, numa análise fria, a atitude vista aqui é um pouco pior, já que no caso dos laboratórios eles ainda investiram pesadamente no desenvolvimento da medicação.

Do mesmo modo, inaceitável é ver as críticas de algumas pessoas ao projeto sob a argumentação de que a conta da isenção tarifária para os estudantes será paga por alguém. Ora, é claro que será paga por alguém. Será paga pelos cofres públicos, por nossos impostos e assim por diante. Ou seja, quem vai custear é quem sempre custeou toda e qualquer política pública implantada num país que escolheu este modelo de sociedade: nós mesmos. A diferença é que, neste caso específico, estamos vendo o dinheiro do contribuinte indo para algo que valha a pena: a educação. E, o melhor, indo para um personagem da educação que normalmente, por mais estranho que pareça, sempre é o último beneficiado pelos milhões jogados no setor: o aluno.

Dito isto, fica a torcida para que aqueles que ousaram ser contra este projeto reflitam sobre a sem “noçãozisse” de suas falas. Fica também a torcida para que essa turma volte à luz e concentre suas forças em criticar e combater o que efetivamente está acontecendo de ruim nesta cidade. E, todos sabemos, há muita coisa errada para enfrentar.

Um ótimo resto de semana a todos e até uma próxima! Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br.