Uma confusão generalizada se formou em uma área de ocupação irregular conhecida como Santa Cruz, localizada no bairro Capela Velha, no sábado, 25 de abril. A Guarda Municipal recebeu uma denúncia e foi até o local, para demolir três casas que tinham sido construídas, mas os moradores se revoltaram, gerando um grande tumulto. Segundo o presidente da associação de moradores do Santa Cruz, Remilton Rodrigues dos Santos, a área em questão seria particular e o proprietário teria interesse em negociar com os moradores, porém, a Prefeitura teria alegado que a área é de preservação ambiental.

“Nós ficamos revoltados com a atitude da Guarda Municipal, que chegou aqui com as máquinas, sem um mandado, derrubando tudo, deixando as famílias sem um teto em plena pandemia, quando se pede para todo ficar em casa”, denunciou o líder comunitário, ressaltando que a comunidade vai buscar seus direitos. Outra moradora comentou que uma mulher teria sido ferida com um disparo de bala de borracha feito por um guarda municipal. “Eles foram violentos, machucaram pessoas que só estavam ali brigando pelos seus direitos”, reclamou.

A GMA, por sua vez, explicou que o objetivo da ação foi inibir a prática de invasão de área pública na região do Capela Velha. Destacou que, por ser um órgão fiscalizador e amparado pela lei, desenvolve ações para coibir a ampliação de ocupação de áreas irregulares, e que esta ação de sábado não foi uma reintegração de posse e sim de fiscalização de rotina, que não necessita de autorização de instâncias superiores para ser realizada.

Destacou ainda que se trata de uma área de preservação ambiental e, ao constatar evidências de invasão, o procedimento padrão é destruir as construções em andamento ou inabitadas. Lembrou que não há destruição de casas onde há famílias morando e ninguém foi e nem seria retirado de sua casa neste tipo de ação. Também conforme a Guarda, a confusão se deu porque pessoas que já vivem na região foram convocadas por lideranças para impedir que o trabalho de remoção dessas construções em andamento fosse realizado. A GM alega que teve acesso a um áudio enviado a pessoas da região em que havia insinuações de que a ação seria para destruir todas as casas, o que não é verdade.

Com o tumulto, a Guarda Municipal fez um disparo com bala de borracha para dispersar a aglomeração de pessoas. Infelizmente, o disparo de arma não letal atingiu a perna de uma mulher que estava nesta aglomeração. Para evitar um conflito direto que poderia trazer um mal maior para ambos os lados, a GM suspendeu a continuidade da demolição.

Foto: divulgação