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Diretores estão apreensivos com possível retorno das aulas presenciais


A possibilidade de um retorno das aulas presenciais para o mês de setembro, preocupa diretores de colégios estaduais em Araucária. Mesmo que a data possa ser mudada caso os infectologistas da Secretaria Estadual da Saúde considerem que haja algum risco, em função do cenário da pandemia do novo corononavírus, a preocupação já toma conta, considerando que a maioria das instituições da rede estadual de ensino no município não possui estrutura física para se adequar ao protocolo inicialmente proposto, que exige espaçamento entre as carteiras para a limitação de alunos em sala de aula, distanciamento de 1,5 metros entre eles mesmo nas áreas comuns, dispenser de álcool em gel em todos os espaços do colégio, uso de termômetros, higienização frequente, entre outros. Isso sem contar a escassez de profissionais para se adequar ao sistema híbrido, com a manutenção das aulas on-line e com aulas presenciais escalonadas.

Valter Fernandes, diretor do Colégio Estadual Monteiro Lobato, localizado no bairro Estação, que atende 700 alunos, disse que está buscando novos recursos para o atendimento aos alunos. “Caso o retorno se efetive, teremos muito trabalho, pois nossas turmas são bem cheias e isso dificultará a divisão de quem vem e de quem ficará em casa. Já ouvimos os pais, e a grande maioria afirmou que não mandará o filho para a escola. Não vejo a necessidade de mudar agora, pois a participação dos nossos alunos nas aulas remotas está sendo bem aceita. Todos estão sendo atendidos, mesmo aqueles que não tem acesso a nenhuma tecnologia. A maior dificuldade talvez não seja a falta de recursos exigidos pelo protocolo, mas sim o controle do distanciamento entre crianças e adolescentes”, comentou.

Da mesma opinião compartilha o diretor do Colégio Estadual Professor Júlio Szymanski, que fica no Centro. “Estamos aguardando que o protocolo de retorno às aulas seja publicado em Diário Oficial para que possamos nos pronunciar com os alunos e seus familiares e iniciarmos a adequação necessária. Nossa preocupação é que

atendemos mais de 2.400 estudantes, sendo mais de 700 alunos para cada turno, o que dificulta o isolamento dentro dos espaços da escola. Essa questão será levada para a SEED quando efetivamente iniciarem as discussões da retomada das aulas. Na minha opinião é necessário cautela antes de qualquer decisão, e que sejam seguidos protocolos baseados em conhecimento científico. Sofremos muito no início da pandemia para nos adaptarmos e conseguirmos resgatar o maior número de alunos. Mas progredimos e atualmente atingimos a grande maioria através do Google Classroom e materiais impressos. Não é o ideal, não substitui o ensino presencial e a interação do professor e os alunos, mas é o que podemos ofertar nesse momento”, pontuou.

Com 1.032 alunos, o Colégio Estadual Prof. Maria da Graça Siqueira Silva e Lima, no bairro Costeira, também aguarda um posicionamento oficial para iniciar as adaptações. “Nenhum diretor foi consultado e até agora não existe nenhum vislumbre de retorno, apesar de toda a discussão que está sendo feita. Não tem nada definido, ainda precisamos nos preparar, mas não vai ser fácil se esse retorno acontecer em setembro. É preocupante porque não temos nem funcionário para suprir as necessidades. Na minha opinião, não é a melhor saída esse retorno enquanto não tiver uma vacina, mesmo porque, as atividades em EAD estão dando conta do recado”, observou o diretor Alexandre Blot.

Texto: Maurenn Bernardo

Foto: divulgação SEED

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