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Discípulos de Jesus


A subida de Jesus ao céu, longe de ser uma desgraça, uma tragédia, distanciamento e afastamento da humanidade, tristeza e decepção, luto e sofrimento, é na verdade, um grande apelo aos apóstolos a continuarem a missão que ele lhes deixou. Agora são eles os responsáveis em anunciar a boa nova, o evangelho, levando-o para todos os povos, para todas as nações, até os confins de toda a terra. E Jesus garante que estará com eles, com o seu Espírito, guiando-os, apontando-lhes o caminho, falando através deles em todos os momentos de suas vidas. E mais, prometeu que não os abandonará e nem deixará de lado os seus seguidores, estando com eles até o fim de todos os tempos.

A festa da Ascensão do Senhor é, na verdade, a festa do compromisso, da ação, da responsabilidade, do testemunho, do seguimento a Jesus até as últimas conseqüências. Serão os apóstolos, enviados em missão, a continuar fazendo o que Jesus fez, através de palavras e obras, a anunciarem com coragem o seu evangelho. Ser testemunha significa viver o que o Mestre viveu, falar o que ele falou e manifestar através de palavras, gestos e ações a sua Boa Nova. O seu Espírito, diz Jesus, estará presente na vida dos apóstolos, sobretudo, nos momentos mais difíceis da missão, quando estes serão caluniados, expulsos, presos e ameaçados de morte por causa do evangelho de Jesus.

Discípulos de Jesus, ou seja, testemunhas fiéis da sua boa nova, os apóstolos foram, pregaram, testemunharam com fé e coragem, sem medo e sem desânimo. Muito pelo contrário, por onde passavam, tocavam o coração de muitas pessoas que largavam o paganismo e se uniam a eles, formando comunidades vivas de fé no Cristo ressuscitado. Não temiam as ameaças, as prisões, as calúnias, porque o Espírito Santo os animava e os conduzia na missão. Assim também, muitos pagãos, convertidos ao cristianismo, testemunhavam com coragem a sua fé em Jesus e na sua Boa Nova, através de palavras e ações.

Ser seguidor de Jesus, também hoje em dia, nos convoca a sermos seus discípulos. Não basta conhecer o evangelho, conhecer a doutrina da fé, conhecer os documentos da Igreja, e viver de modo diferente do que viveu o Mestre. Tem muita gente que fala em nome de Jesus, que grita bem alto o seu nome, mas que não vive como Jesus viveu. Falar o seu nome é comprometer-se a viver como ele viveu, ou seja, direcionar a sua vida de acordo com os seus ensinamentos. E tudo o que Jesus fez foi viver plenamente o amor, até as últimas conseqüências, morrendo na cruz, para nos salvar. Não é possível falar, gritar o seu nome e depois propagar o ódio, a mentira, a discórdia e a desunião! Ou então, viver de modo egoísta, pensando somente nos seus próprios interesses. É simplesmente contraditório e paradoxal.

Ser discípulo de Jesus é um compromisso com o amor, com a verdade, com a honestidade, com a transparência, com a solidariedade, com a defesa aos mais pobres e excluídos da sociedade. É um compromisso com a comunidade, com a tolerância, com o respeito, com a justiça, sendo instrumento da sua paz. Oxalá o mundo realmente fosse evangélico, no sentido de seguir o evangelho, de viver as suas exigências, de colocar em prática os valores pregados e defendidos por Jesus. O grande desafio na festa da ascensão é dar continuidade à Boa Nova do Evangelho. Isto significa ser neste mundo um farol, um olhar que ilumina e um braço que levanta e um gesto que se compadece, um sorriso que acalma e uma palavra que conforta. É viver plenamente o amor que serve e que se sacrifica pelo irmão.

Publicado na edição 1213 – 21/05/2020

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