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Domingo – Dia do Senhor


A observância do sábado era considerada pelos judeus como a mais sagrada de todos os preceitos do decálogo. Alguns rabinos ensinavam que só ela era mais importante do que todos os demais mandamentos tomados no seu conjunto. Na Bíblia as advertências para ‘santificar’ o sábado são constantes. Por que se atribuía tanta importância para esta lei? A Bíblia apresenta diversos motivos, alguns de caráter social, outros de caráter religioso e cultual. No ano 800 antes de Cristo aconteceu em Israel uma convulsão social e econômica muito importante: os ricos, contrariando a lei de Deus que proibia vender e comprar a terra, começaram a acumular em suas mãos grandes latifúndios. Uma doença grande ou a marte do chefe de família obrigava a mulher e os filhos vender a propriedade e a passar a trabalhar para os novos donos como empregados. Recebiam um salário miserável, trabalhavam sem descanso todos os dias, sem horário, como escravos. Como proteger estes pobres trabalhadores braçais, explorados e maltratados como animais?

Eis que surge então a lei do descanso no dia do sábado. A rígida proibição de executar qualquer trabalho originou-se da necessidade de proteger as pessoas exploradas e para proteger os fracos. Até os bois e os burros tem a necessidade de descanso. Quando se encontrava sob o cativeiro de faraó, o povo devia trabalhar sem parar, não tinha direito ao descanso, nem por um instante sequer. Agora, depois de libertado, deve celebrar, descansando no ‘sétimo dia’, a liberdade que lhe foi concedida.

Portanto, o sábado nasce como o dia de descanso, contra todo o tipo de escravidão para louvar a Deus, agradecer pela vida e reconhecer que Ele é o Senhor da nossa história. Para nós, cristãos, o sábado judeu se transformou em domingo, o dia que Jesus ressuscitou e venceu as trevas e a morte para sempre. A exemplo do povo judeu é um dia de descanso, a fim de recuperarmos as nossas energias, e sentirmos que não somos donos da nossa vida, pois ela pertence a Deus. Ele é o Senhor da nossa existência, e todo cristão, esquece suas atividades no domingo e se dirige ao Templo para glorificar a Deus por sua vida, por sua existência.

Desde cedo aprendi que no domingo não se trabalha, pois é dia de descanso. Quando eu sabia que alguém trabalhava neste dia, eu ficava de certo modo escandalizado e impressionado. Cresci indo para a Igreja todos os domingos, quando tinha missa ou então apenas o culto. Claro, mais tarde fiquei padre, e desde então o domingo para mim é um dia sagrado de celebrar a missa, e geralmente, mais do que uma missa. Confesso que sempre o faço com muita alegria, e mesmo quando tenho que celebrar até mais do que três missas num domingo, o faço com muito amor. É algo natural e espontâneo, pois, domingo é o dia do Senhor. Por diversos anos estudei em Roma, e sempre ouvia de um sábio sacerdote italiano que no domingo não se estuda, porque se descansa, louvando o Senhor. Realmente, nunca estudei no domingo, e sempre me dei muito bem nos estudos.

Para todo cristão batizado, domingo é um dia de descanso no Senhor. Como é lindo ver toda a família se dirigindo para a Igreja, a fim de participar do culto divino! Existe um ditado católico que diz o seguinte: ‘domingo sem missa, semana sem graça’. Quando participamos da missa levamos para a Igreja a nossa vida, com suas alegrias e tristezas. Pedimos forças para a semana que está iniciando, e, com certeza, vivemos mais plenamente. Domingo é o dia do Senhor – o dia de expressarmos a nossa fé em comunidade.

 

 

Publicado na edição 1115 – 30/05/2018

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