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Donos de quadras esportivas criticam abandono do setor


Os empresários araucarienses que trabalham com a locação de quadras esportivas e campos de futebol estão preocupados com a falta de perspectivas para o setor. Os espaços estão impedidos de funcionar por completo, devido à pandemia do coronavírus. Por força de um decreto municipal instituído em março, que proibiu a realização de qualquer atividade coletiva ou evento esportivo que gere aglomeração de pessoas, uma grave crise financeira se instalou. Além disso, a falta de previsões para a retomada das atividades tem causado temor.

A crise afetou também as escolinhas de futebol, que estão com aulas suspensas desde março. Muitos profissionais de educação física que atuavam nesses espaços, acabaram focando mais nos trabalhos de personal trainner e personal soccer. O Jornal O Popular conversou com proprietários de quadras esportivas e professores de escolinhas de futebol, para ouvir deles, um relato do que estão vivenciando diante da paralisação das atividades. Acompanhe.

Texto: Maurenn Bernardo

Foto: Marco Charneski, Everson Santos e divulgação

Publicado na edição 1221 – 23/07/2020

Tião Soczek

Centro Esportivo Costeira

“Nosso campo de futebol e as quadras sintética e de futsal estão fechadas desde 21 de março. Este ano eu havia tirado uma folga e não iria realizar campeonatos, mas estávamos locando o Centro Esportivo para terceiros, para gerar uma renda. De repente veio a pandemia e a ordem para fechar tudo. Nos pegou de surpresa, e como a liberação está demorando, a gente vai se virando como pode, com nossas economias. O Centro Esportivo também possui uma lanchonete e toda semana tinha eventos por lá, mas como está há meses parado, tivemos que vender todos os nossos estoques a preço de custo, para mercados de amigos, para não perder as mercadorias e gerar renda. Infelizmente para este ano não tenho boas expectativas, talvez em setembro, como muitos falam, as coisas comecem a voltar ao normal, mas a gente vai demorar para se reerguer”.

Rodrigo Marin de Freitas

Professor de Educação Física

“Sou professor na escolinha AFFA Diamante, AFFA Celtics e AFFA OJS e também atuo no Colégio Adventista e na Casinha do Saber Toco de Gente. Por causa da pandemia, nossa classe tem enfrentado sérias dificuldades. Temos sido deixados de lado por todos os representantes políticos, e como não somos uma classe fortalecida, com pessoas que se engajam pelo esporte, estamos à mercê dos mandos e desmandos das autoridades políticas e de saúde. Infelizmente os decretos são muito mal elaborados, existem brechas, uma parte é sempre liberada, a outra não, e acabamos sendo duramente prejudicados. No caso das escolinhas, muitos perderam seus empregos, tiveram salários reduzidos e deixaram de honrar com pagamentos das mensalidades, e dessa forma, nós professores sentimos as consequências. Tenho atuado como personal trainner e soccer para gerar uma renda, mas esperamos que logo tudo volte ao normal, dentro do que a nova realidade irá nos permitir”.

Marcelo Staron (Mazza)

professor de Educação Física

“Por causa da pandemia, estou atuando como personal soccer, não podemos ficar parados. Trabalho no Colégio Metropolitana, comando o AFFA Figas e junto com o Marins comandamos o campo do AFFA Araucária. Estamos parados desde março. Nunca pensamos que um dia chegaríamos em uma situação dessa. Já são quase 150 dias com as portas fechadas, sem poder trabalhar, sem ajudar nossas crianças a aprender não só com o esporte, mas também valores para a vida. Diante dessa pandemia, a atividade física teria que ser prioridade, porque combate a obesidade, diabetes, hipertensão, aumenta imunidade, além de inúmeros outros benefícios que o esporte pode proporcionar à saúde. Esperamos que as autoridades de saúde considerem isso e que em breve possamos retomar nossas atividades, com todo cuidado necessário que o novo normal vai exigir de todos”.

Darci Nicolodi

Quadra de Esportes Guri

“Trabalho há nove anos com locação de quadra esportiva, onde sempre foram realizados muitos jogos de futebol de salão, voleibol e handebol, onde as pessoas se reuniam para praticar uma atividade esportiva, se divertir, passar momentos descontraídos. De uma hora pra outra, tudo isso acabou. A quadra está desde o dia 20 de março fechada, sem receber nenhuma pessoa sequer, um cenário triste de se ver. O pior é que não consigo ver uma perspectiva de retomada tão cedo, porque todo mundo fala que as atividades que envolvem aglomerações de pessoas, serão as últimas a voltarem ao normal. E a gente nem tem ideia de como vai ser a nova realidade que teremos que enfrentar”.

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