Desgraçado, mal educado, lazarento, orguioso, Iósef estando drento da caminhonetona Mistubicha do fio dele do outro lado da rua, sentadón no banco do passagero, zoiô pra iéu e iéu deu com mon pra comprimentar, iéle nem dando bola e ainda virando cara fazendo de conta que nem me conhecendo o desgranhento. Iéu ficando com cara de bunda. Iésto non sendo atitude de gente educada, iéu achando muita sacanage do lado dele! Nóis se cunhecemo desde criança, dos tempo da escolinha, fumo vizinho pro mais de trinta ano, joguemo bola junto no pasto da Nhá Filomena, cacemo junto, pesquemo junto, inté quase fizemo troca-troca completo, porque quando sempre que achegando minha véis de virar descosta iéu dando no pé. E agora o mardito virando cara com iéu. Tá certo que já fazendo uns 10 ano que non se encontremo, na última véis lá na festa da Roça Nova, sentemo junto pra comer churasco e prosiemo por mais de duas hora lembrando dos tempo de piazón, de quando nóis era conde no casamento do Teófilo com a Inácia e resolvemo ponhar lacto-purga na comida do noivo só pra ver iéle sair se arebentando pra casinha, Pai da Inácia quis anular o casamento dizendo que Teófilo non servindo pra fia proque sendo um cagón! Se alembremo de quando nóis sendo coroinha e roubemo a chave do fusca do Padre e escondemo fusca no matagal dos Butchowski, daí contemo pro Padre que fusca tinha sido robado, Padre saiu corendo do confissionário e nóis entremo e fiquemo lá iscuitando os pecado das menina que fazion curso pra crisma, um mais cabeludo que otro e despois nóis pedia bejo pras menina pra non contar os segredo pros pai delas. Lembremo quando se fantasiemo de Demonho da Capa Vermeia, compremo uns foguete no Armazém do Pai do Iskapinski, que despois ficando pra Iskapinski por herança, e se escundemo no milharal, quando iscuitemo casal entrando nóis esperemo uns minuto e despois soltemo os foguete e fumo de encontro do casalsinho com lanterna ilumiando a cara, iéu acabando dando a anágua da moça de presente pra Flortcha e a cueca no moço pinduremo no mastro da escola. Lembremo que nois indo robar Butiá na casa da Dona Anacleta que espantava nóis dos butiazero com pedaço de ripa na mon, ponhemo nun dia as bola de búrico na saída da porta da cozinha dela e esperemo iéla sair gritando, quando a véia pisando na bolinha deu duas cambalhota na varanda e caiu esticadona em cima dos lençol que tavom corando em cima do gramado, inté hoje a velha anda meio manca. Lembremo que nóis esvasiemo as garafa de leite no manguerón do véio Arfredon e enchemo de uma mistura de água com cal queimado, coitado do véio, foi entregar os leite no otro dia e acabando levando uma coça dos fregueis. E quando nóis caçava raposa e vendia na cidade como filhote de gato da Índia? Quando nóis entrava do paiol de milho dos Piwoski e passava noite estorando as garafa de cerveja de casa? Quando nóis ponhava bombinha no fundo da casinha só pra ver o pessoal da festa sair cheio de bosta? Despois de tanta sacanage que fizemo junto, Iósef agora se finge que nem me conhecendo? Isto non sendo justo para um amigo que desde criança aprontemo junto. Enton contando no Iskapinski do acontecido, que Iósef virando rico e nem mais cumprimentando os pobre, iéle me falando que coitado do Iósef, que estando com uma diabete ton forte que já perdendo a visón e cego estando. Quando Iskapinski me falando iésto parecendo que coraeçón indo sair pela guela, enton sendo por iésto que iéle non comprimentando, porque non me vendo. Que maldoso que iéu sendo, fazendo mal juízo e ainda xingando o coitado! Iésto sim que foi uma grande sacanagem que iéu fazendo com iéle e acabando sendo sacaneado tambem, porque o remorso que bateu superando todos os que tendo depois das sacanagem que fizemo quando piazon!”

Publicado na edição 1129 – 06/09/18