Conversava dia desses com um amigo, conversa rápida, daquelas de corredor mesmo. Ele, sempre inspirado, já chegou falando alto. Estava indignado com o fato de coisas que dão certo fora de Araucária não darem certo aqui simplesmente porque nossa população, ou pelo menos parcela significativa dela, terem a irritante mania de desqualificar e/ou boicotar eventos, empreendimentos, enfim… iniciativas que, com certeza, gerariam desenvolvimento para nossa cidade.

Na oportunidade, este meu amigo brincou que se Thomas Edison morasse em Araucária ainda viveríamos num breu daqueles. A comparação seria cômica se não fosse trágica. Porém, ele tem muita razão. Se o inventor da lâmpada residisse aqui, digamos que na região do Vila Nova, tão logo ele dissesse que estava trabalhando em algo que faria com que não tivéssemos mais que usar lampiões, a primeira reação não seria incentivá-lo e sim desconfiar de suas intenções. Talvez o acusaríamos de estar trabalhando nisto só para poder vender o equipamento para Prefeitura por um preço altíssimo. E, ainda afirmaríamos, mesmo sem conhecer o invento de perto, que – com certeza “essa tal de lâmpada” sequer funcionaria.

Do mesmo modo, se em 1.879, quando Edison inventou a lâmpada, fosse ano eleitoral, nós araucarienses desceríamos a lenha no pobre homem. Afirmaríamos com todas as letras que ele estava fazendo aquilo só para se eleger e se, por ventura, ele dissesse que não era candidato, o chamaríamos de mentiroso de forma muito convicta. Diríamos algo do tipo: “ele fala isso agora, quando chegar as eleições, vocês vão ver”. Sim, porque aqui em Araucária, temos a irritante mania de considerar que todo mundo só faz as coisas pensando em se eleger para algo.

Faríamos um trabalho de desqualificação tão grande do trabalho de Edison que ele simplesmente desistiria de aperfeiçoar a lâmpada e quando fizesse isso, nós araucarienses – ainda não satisfeitos em termos conseguido desestimular um invento que traria melhor qualidade de vida para todos que residem no município, nos poríamos a vangloriarmos de estarmos certos com relação às intenções de Edison. Já imagino fulano ou beltrano dizendo algo do tipo: “cadê a tal da lâmpada que ele iria fazer?”, ou “olha lá, só porque viu que essa tal de lâmpada não daria votos, já abandonou a ideia”. Ou ainda: “sabia que isso não daria em nada, esse Edison só queria pegar dinheiro da Prefeitura com essa tal lâmpada e quando caí­mos de pau nele, ele recuou, mas logo ele vai aparecer com outra ideia absurda dessas… temos que ficar de olho”.

Então, pessoal, aí que está o problema, dando uma googleada rápida, descobri que Thomas Edison registrou ao longo de sua vida mais de duas mil patentes e criou e/ou aperfeiçoou diversos equipamentos que hoje tornam nossa vida mais fácil. Logo, se ele morasse em Araucária, talvez não fosse somente a lâmpada que o desestimularía­mos a inventar. Escrevo tudo isso porque precisamos urgente rever essa autofágica mania de não incentivarmos o que é nosso, de não apoiarmos e abraçarmos empreendimentos que melhorarão nossa cidade, de não brigarmos pelas coisas boas que acontecem em Araucária, independentemente de quem seja o seu autor. Enfim, precisamos ser cidadãos melhores para termos uma cidade melhor.

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

2 thoughts on “E se Thomas Edison fosse araucariense…”
  1. Waldiclei, o diretor-geral de Finanças nem mora em Araucária. O diretor do alvará, quando fui tirar o alvará da minha empresa, mora em Curitiba. Esperar o que então? Os caras apagam as luzes as 17 horas e vão embora, não estão nem aí para o município.

  2. É por isso que temos que deixar de ser hipócritas e dar a chance para um empresário e morador antigo de Araucária, um homem sem vícios políticos ser prefeito de Araucária…

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