Na semana que se passou li no Estadão uma declaração da ex-candidata presidencial Marina Silva que me fez parar para refletir sobre essa mania que temos de sempre querer culpar os outros pelos problemas que acometem o país.

Em sua fala, Marina criticou essa mania da população brasileira de ser espectadora da democracia, de se contentar em reclamar do “status quo” das coisas. De ficar feliz em encontrar alguém para botar a culpa dos problemas. Disse ela: “aqui no Brasil está todo mundo feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la”.

A declaração de Marina é perfeita! Nós, brasileiros, sempre achamos que o problema são os outros. Assim, terceirizamos a responsabilidade das merdas que acontecem no país, no estado ou no município quando o correto seria que cada um assumisse a sua parcela de culpa pelo que acontece em nossa sociedade.

Mas sempre é mais fácil achar que a culpa é do outro. É sempre mais fácil se considerar um cidadão exemplar, é sempre mais tranquilo chamar o político de corrupto. É sempre mais alentador encontrar um bode expiatório para as mazelas do dia a dia.

O bode expiatório do momento é a Dilma. É o PT. No Paraná é o Beto Richa, o PSDB. Em Araucária é o Olizandro, é o PMDB. São os vereadores e as várias siglas as quais eles estão filiados. Do mesmo modo, em outros tempos, o bode expiatório nacional era o FHC, era o PSDB. No Estado era o Requião, era o PMDB. No Município, era o Zezé, era o PSDB e assim por diante. Quando, na verdade, como bem disse Marina, o problema da corrupção não é de um único partido ou grupo político. O problema é nosso!

De novo, parafraseando Marina, e trazendo sua declaração unicamente para a esfera municipal, nunca evoluiremos enquanto cidade se continuarmos a sermos espectadores da democracia. Enquanto preferirmos sentar em nossas poltronas e ficarmos bufando, xingando e amaldiçoando aqueles que ocupam cargos públicos.

Do mesmo modo, é um erro achar que há salvadores da pátria escondidos por aí, que surgirão galopando seus cavalos brancos ou pilotando suas naves espaciais e que, com suas espadas mágicas, irão cortar pela raiz nossos problemas e transformarão nossa cidade num reino de prosperidade. Os verdadeiros heróis somos todos nós, mas precisamos urgentemente assumir nossas responsabilidades. Enquanto não fizermos isso de nada adianta choramingar por aí!

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