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EMANUEL: O DEUS CONOSCO

Um dos grandes mistérios que nos fascinam, é a encarnação de Deus neste mundo. Ele deixou de ser inacessível, se fez carne, veio morar entre nós e assumiu toda a nossa humanidade, menos o pecado. Jesus, o Filho de Deus, nos garante: ‘Eu e o Pai somos um’; ‘as obras que eu faço são as obras d Pai’; ‘quem me vê, vê o Pai’ e outras afirmações de Jesus, revelam através de suas palavras, gestos e ações, a imagem de Deus para o mundo. Para conhecermos quem é Deus, precisamos conhecer o homem de Nazaré, Jesus, o fi lho de Maria.

A vinda de Jesus ao mundo é a vinda do próprio Deus que veio habitar em nosso meio, armou uma tenda para morar conosco. Nasceu humilde, simples, numa manjedoura, longe dos palácios, dos luxos, da riqueza e de todos os aparatos que envolviam a vida dos ricos. Ele veio pobre, sem nada, numa noite fria de Belém, para revelar o verdadeiro rosto de Deus. Deus se manifestou ao longo da história através de Abraão, Moisés, Jacó e os profetas, de modo imperfeito e distante. Mas em Jesus de Nazaré, ele desceu do céu e veio viver entre nós, plenamente humano, cheio de amor, compaixão e misericórdia.

Para sabermos quem é Deus, é imprescindível conhecermos os evangelhos
narrados pelos quatro evangelistas. Ali detectamos a revelação de Deus para a humanidade. E o que nós encontramos aí, de certo modo nos assusta, e, tantas vezes, preferimos fugir de Jesus de Nazaré e criar um Deus à nossa imagem e semelhança. Ele escandalizou os fariseus, os escribas, os doutores da lei, porque eles vivam num mundo onde o mais importante eram os privilégios, o poder, a riqueza e os primeiros lugares. Jesus pregou exatamente contra tudo isso, mostrando que Deus é dos pequenos
e humilhados. Sua relação predileta era com os pobres, os excluídos, os marginalizados e os sofredores.

Andando nas margens da Galileia, nas aldeias ao redor, nas montanhas ou planícies, Jesus se compadecia dos que sofriam e dos excluídos da sociedade. O Reino de Deus, pregado por Jesus, se manifestava plenamente nos ‘cegos que veem, nos surdos que ouvem e nos mudos que falam e nos mortos que ressuscitam, nos coxos que andam, nos leprosos que são purificados e nos pobres, aos quais é anunciada a boa nova da salvação’. O papa Francisco nos convida para nos voltarmos a esse Jesus de Nazaré, para compreendermos quem é Deus. Para o papa, o que melhor defi ne o Deus de Jesus, é a misericórdia, a compaixão, a ternura, um coração profundamente amoroso e acolhedor.

Jesus é o Emanuel, o Deus Conosco, que fez sua tenda em nosso meio, revelando plenamente o rosto do Pai. Ele veio para que todos tenham vida e não somente alguns poucos, alguns privilegiados. Enquanto houver na terra um pobre, um sofredor precisando de ajuda, de socorro, o Reino de Deus ainda não se realizou plenamente. O Deus que Jesus apresenta nas parábolas descritas por Lucas, cap. 15, do Filho Pródigo, da ovelha e da moeda que se perdem, revela claramente um rosto profundamente misericordioso do Pai. Que não veio para condenar os pecadores, mas para salvar e resgatar a vida de muitos.

Diante deste grande mistério, nós, seus seguidores, somos desafiados a retomar a verdadeira religião. Não uma religião de preceitos, de belas palavras, de discursos bem elaborados, mas, de um profundo amor aos irmãos, principalmente aos mais pobres da nossa sociedade. Assim se revelou Deus ao mundo, através do homem Jesus de Nazaré.

Publicado na edição 1194 – 19/12/2019

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