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Enxugando gelo


Não é de hoje que o problema da superlotação da carceragem da Delegacia de Polícia Civil de Araucária é digna de nota. Nos últimos dias, como se sabe, a situação calamitosa da cadeia local ganhou destaque numa reportagem da Rede Paranaense de Comunicação (RPC).

Assim como a RPC, O Popular também aborda a situação em nossa edição desta semana. A carceragem tem hoje oitenta presos num espaço cuja capacidade máxima é para não mais do que vinte detentos.

Tal situação, obviamente, faz do local um verdadeiro barril de pólvora e não seria surpresa que uma fuga, motim ou coisa do gênero possa estar acontecendo enquanto você lê esse editorial. Isto porque, infelizmente, esta é a consequência natural de um ambiente como aquele.

Interessante também é acompanhar as justificativas para a superlotação dada pelos órgãos estaduais responsáveis pelo sistema prisional. Eles sempre apresentam número e elencam obras que, garantem, resolveram o problema num prédio razoável.

No entanto, quando puxamos pela memória ou fazemos uma rápida pesquisa pela rede mundial de computadores descobrimos que as mesmas justificativas e as mesmas promessas para o mesmo problema já foram dadas num passado não muito distante.

Ou seja, a caótica situação do sistema prisional paranaense e brasileiro, é algo que já ultrapassou o aceitável há vários anos, sendo que, desde então, o que fazemos é sempre enxugar gelo: a imprensa denuncia, o Estado promete resolver, faz a transferência de alguns presos ao longo de algumas semanas e, passado certo tempo, tudo volta a ser como sempre foi. Boa leitura!

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