Escolhas

A afirmação de que temos os políticos que merecemos geralmente nos é apresentada como atenuante das barbaridades cometidas por nossos representantes. Até parece que o voto é um cartão de crédito sem limite, entregue aos dirigentes para que estes usem como quiserem e sem sentir qualquer culpa pelos abusos. É porque votamos mal que temos maus políticos, dizem-nos, como se a culpa fosse exclusivamente dos eleitores. Isso é verdade só em parte, pois o processo de escolha é viciado e as regras são mantidas por aqueles que delas se beneficiam. Algumas pessoas utilizam os partidos e outros instrumentos políticos para satisfazer sua ambição pessoal e aderem sem qualquer pudor ao método das tradicionais raposas felpudas da política. Chegar ao poder e nele permanecer é o objetivo que definem para suas vidas. Partidos são administrados como verdadeiros balcões de negócio em que se tramam vantagens para os(as) “donos(as)” destas agremiações. A linha político-ideológica é posta de lado em troca de apoios e coligações. Pavimentar sua estrada de acesso ao poder passa ser o único desafio dos que concentram ferrenhamente o poder de decisão dos partidos em suas mãos. Em Araucária, como nos demais municípios, as articulações de bastidores correm soltas na costura de candidaturas. Os destinos do município e de sua gente pouco ou nada são levados em conta, no mais das vezes, pelos que colocam sua carreira política acima de tudo. Por mais que a maioria diga saber que deixar o município em poder de algumas pessoas possa ser desastroso, poucos(as) irão abrir mão da vontade pessoal em favor de um projeto mais amplo e favorável à cidade. E acabarão entregando o poder a quem dizem não ter condições para exerce-lo. Destaque-se que sequer estou considerando a possibilidade de articulação de candidaturas exclusivamente para desviar verbas em proveito próprio e do próprio grupo, em total desprezo ao interesse público. Há que reconhecer que cada um de nós tem sua parcela de culpa na situação desanimadora em que se encontra a administração pública. Participamos pouco dos partidos políticos e não confrontamos suficientemente os(as) “donos(as)” dos partidos, de forma a coibir o personalismo que exibem. E quando encontramos um(a) pré-candidato(a), logo tentamos ver se há vantagens que possamos obter e o(a) desestimulamos do compromisso que deve ter com a coletividade. O quadro é pouco animador e o jogo está sendo jogado como sempre o foi. Mas, há uma saída. Mesmo com a nossa pequena capacidade de interferir no processo de surgimento e consolidação das candidaturas, busquemos uma decisão mais consciente e compromissada na hora do voto. Se escolhermos os(as) candidatos(as) visando o bem da cidade e sem colocar o interesse pessoal em primeiro lugar, teremos feito o mínimo possível. Esse gesto será grandioso para o processo político, se multiplicado. Estimulemos amigos, parentes e vizinhos a refletir sobre a importância do voto e a destiná-lo a quem não põe o interesse pessoal em primeiro lugar. Democracia é isso. Só funciona bem a partir do esforço da maioria e precisa contagiar os(as) candidatos(as). E ainda, se não participamos o suficiente da política para viabilizar a candidatura que entendemos necessária para ocupar o cargo de prefeito(a), podemos caprichar na escolha de quem irá nos representar na Câmara Municipal. Vereadores(as) comprometidos(as) com o bem comum são fundamentais ao bem estar da comunidade e sempre há uma grande variedade de candidatos(as) ao cargo.

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