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“EU VIM PARA SERVIR” (Mc 10,45).

O povo de Israel espera até hoje a vinda de um novo rei, um Messias forte e vencedor como foi o rei Davi. Um rei, um Messias que venha para instaurar um novo tempo, onde o povo de Israel possa finalmente dominar sobre todos os outros povos, na certeza de ter sido desde sempre, escolhido por Deus para ser o seu povo, como ele mesmo afirma no Êxodo 6,7: ‘Eu serei o vosso Deus e vocês serão o meu povo’.

Para nós, cristãos, o Messias já chegou, mas, de forma muito diferente, frágil e pobre, nascendo numa gruta em Belém, e, morrendo na cruz. Ele é o nosso rei, que para os judeus tornou-se motivo de escândalo, pois, como poderia o filho de Deus ser morto numa cruz? Realmente, o Salvador que nós acreditamos, deu a sua vida para nos salvar, sendo crucificado. Foi, para nós, a prova máxima do amor de Deus para com a humanidade.

Jesus, ao longo de toda sua pregação, falava do Reino de Deus, mas não de um reino marcado pelo poder, pelo massacre, pela dominação ou pelo autoritarismo. Muito pelo contrário, o seu reino exalava o perfume do amor, da paz, da solidariedade, da preocupação com os mais humildes, os desprezados e excluídos da sociedade. Ele veio para incluir e não para excluir, para dar a vida e não para destruí-la, para salvar e não para condenar. Como ele mesmo disse, o seu reino não é deste mundo, ou seja, ele veio para instaurar o verdadeiro reino, o Reino de Deus.

A característica fundamental para a construção deste reino é o serviço desprendido e gratuito em prol dos irmãos. Jesus mesmo nos afirma, ‘eu vim para servir e não para ser servido’. Aprender esta máxima do evangelho e do mestre é compreender a essência daquilo que ele nos deixou, durante sua passagem neste mundo. Nós o vemos servindo sempre, indo ao encontro das pessoas, curando os doentes, levando a esperança aos excluídos, almoçando com os pecadores e publicanos, erguendo a pessoa caída e machucada pelas estradas da vida, acolhendo a todos com um amor pleno.

Na quinta feira santa Jesus nos deixou o seu testamento, lavando os pés dos discípulos e pedindo que eles fizessem o mesmo. Em João 13, 13-15 ele nos diz: ‘Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós’. Lavar os pés significa colocar a nossa vida, a exemplo da vida de Jesus, a serviço dos irmãos, sobretudo, daqueles mais frágeis e necessitados. É gastar-se em prol dos outros, de modo livre, gratuito, pleno, e, se necessário for, até as últimas consequências, dando a nossa vida por causa do nosso próximo.

A festa do Cristo Rei do Universo é a festa do desprendimento, do esvaziamento de si mesmo, para colocar-se por inteiro a serviço daqueles que mais necessitam. A vida só tem sentido quando doada, repartida, colocada em comum. O egoísmo destrói, o amor constrói. Na medida em que saímos de nós mesmos e vamos ao encontro do outro, nos realizamos como seres humanos e vivemos a missão para a qual Deus nos enviou a este mundo. Jesus nos dá a prova máxima de amor, passando pela vida servindo e amando os irmãos; e, na cruz, a doação total pela nossa salvação. Assim também nós encontraremos o verdadeiro sentido da nossa existência, colocando a nossa vida a serviço dos irmãos.

Publicado na edição 1190 – 21/11/2019

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