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Fábrica da Labra encerrou de vez as suas atividades

Quem nunca passou pela avenida das Araucárias, bem pertinho do terminal da Vila Angélica, sem sentir no ar aquele cheirinho de lápis de cor, que vinha das chaminés da fábrica da Labra. Porém, mais de 30 anos depois, o aroma que remetia muitos a uma lembrança agradável dos tempos de escola, aos poucos, foi se dissipando. A empresa havia embarcado em uma grave crise financeira, e a produção do famoso lápis Labra, gradativamente, foi acabando.

Fundada em 1979, a empresa tinha como principal atividade a produção de lápis colorido e grafite, depois chegou a produzir lápis cosmético, giz de cera e alguns itens de escritório. Em 1995, dezesseis anos depois, a empresa, então comandada pelo empresário Miguel Zattar, hoje falecido, entrou em concordata preventiva. Mas como os sócios não cumpriram com as obrigações previstas, em 1996 foi decretada a falência. Nessa época, o já extinto Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep), maior credor da Labra, assumiu a gestão financeira e administrativa da empresa. O banco nomeou um síndico, que passou a representar os bens da massa falida.

Entre os anos de 1996 a 2009, algumas áreas pertencentes à Labra foram a leilão. Eram áreas passíveis de se desfazer, já que não interferiam na continuidade das atividades, pois mesmo com o processo falimentar, a produção nunca parou. Em 2009, após a venda dos ativos, foi possível pagar todos os trabalhadores, o próprio Badep e demais credores. Nesse novo momento da empresa, Miguel Zattar Filho, agora responsável pelos negócios do pai, requereu a concordata suspensiva, obteve a autorização da 3ª Vara da Fazenda Pública e assumiu novamente o comando da empresa. Ele até hoje é o gestor. Após isso, em 2010, foi deferido o pedido para encerrar o processo falimentar.

“A Labra tentou retomar suas atividades, porém, um novo impasse surgiu no caminho: ladrões invadiram a fábrica e roubaram toda a fiação elétrica. Se a situação financeira já era difícil, ficou ainda pior. Sem dinheiro para restabelecer a energia elétrica, a produção teve que parar e os funcionários foram demitidos. É importante lembrar que o quadro funcional já estava bastante reduzido. No início do processo falimentar, a empresa tinha cerca de mil funcionários, e quando o Badep assumiu o controle, havia cerca de 150.

No final de 2015, com a crise nacional, a recuperação financeira da Labra ficou ainda mais difícil, e hoje, apesar de não estar falida, a empresa não consegue retomar suas atividades”, elucidou a advogada Karina Lúcia Woitowicz, que acompanhou o processo de falência, que se encerrou em 2010, ano em que a empresa voltou a ser administrada pela família.

Ações trabalhistas

Em meio às dificuldades financeiras, a Labra ainda enfrenta uma enxurrada de ações trabalhistas, já que desde 2015 começou a atrasar pagamentos de salários e cestas básicas e também deixou de recolher o FGTS. O advogado Roberto Pontes, do departamento jurídico do sindicato que representa os trabalhadores, o Stiqfepar, comentou que defende uma ação coletiva contra a empresa e várias ações individuais. “Na ação coletiva, que corre na 1ª Vara do Trabalho de Araucária, o sindicato fez um acordo com a empresa, para que pagasse os salários, cestas básicas e recolhessem o FGTS. Teve perícia contábil, foi levantado o passivo devido aos trabalhadores, e a Labra se comprometeu em pagar 100% do valor, dividido em parcelas, no entanto, não pagou nem a primeira. Também foi feita penhora do patrimônio da Labra, mas nada foi vendido. Sabemos que uma nova reavaliação será feita, para que alguns bens possam ir a leilão”, esclareceu.

Ainda de acordo com o advogado do sindicato, no decorrer do processo houve uma denúncia de que a Labra estaria dilapidando os maquinários, mas depois, ficou comprovado que a Justiça tinha autorizado, para evitar depredações, já que a fábrica estava fechada. “Também há rumores de que um grupo de fora teria manifestado interesse em investir e reabrir a fábrica da Labra, mas nada foi confirmado”, salientou.

Texto: MAURENN BERNARDO

Foto: Everson Santos

Publicado na edição 1199 – 13/02/2020

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