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Falhamos novamente


Alguém pode até dizer que foi um grande azar que Carla Schimaida estivesse no estacionamento de um supermercado bem na hora em que, perto dali, ainda dentro do mesmo estacionamento, estivesse ocorrendo uma confusão e disparos de arma de fogo. Ela levou um tiro na cabeça e morreu minutos depois (veja reportagem na página 8 desta edição).

Não, obviamente a culpa não foi dela, de estar ali, naquele lugar e naquela hora. Ela estava exercendo o simples direito de cidadã de circular livremente. Quem não deveria estar ali era a pessoa que efetuou o disparo. Em tese deveríamos ser uma sociedade civilizada onde as pessoas de bem possam circular livremente, ir e vir sem medo, andar de bicicleta com os filhos, ir ao teatro, à praça, ao mercado. Os valores estão cada vez mais invertidos, para não dizer perversos. É muito comum ver pessoas que, por conta da insegurança generalizada, acabam restringindo sua liberdade às prisões cheias de grades que nossas residências têm se tornado. Enquanto isso os bandidos circulam livremente pelas ruas com o queixo erguido, sinal de uma apavorante empáfia ao desafiar as forças de segurança.

No momento em que efetuou os disparos, o assassino de Carla não estava apenas tirando a vida daquela jovem. Estava, também, destruindo sua família, seus amigos e, por consequência, mostrando o quanto nossa sociedade tem falhado. Falha ao evitar que o bandido chegue a este ponto e falha ao deixar que ele fuja e vá, possivelmente, continuar ferindo outras pessoas.

E não, a bala não era perdida. Ela tinha um dono: a pessoa que a disparou e as autoridades precisam urgentemente pegá-lo. Pense nisso e boa leitura.

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