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Fazer o bem, acima de tudo


A cena na qual os discípulos pedem para que Jesus proíba algumas pessoas a não continuarem fazendo o bem em seu nome, revela o espírito ainda fechado dos seguidores do Mestre. ‘Vimos alguém fazendo milagres em teu nome, e os proibimos, porque não são dos nossos’, foi o que eles disseram. Jesus ficou perplexo com esta atitude dos discípulos, como se fazer o bem fosse exclusividade daqueles que o seguem. Jesus repreende-os afirmando que quem não é contra nós é a nosso fazer. E continua dizendo que aquele que der um copo de água a quem tem sede, não ficará sem recompensa. Ou seja, o importante é fazer o bem, mesmo não sendo seguidor de Jesus.

A essência do evangelho é a caridade. Seguir Jesus não é uma questão de belas palavras, apenas de louvores, mas de gestos e ações concretos em prol dos irmãos. Se alguém diz que segue o Mestre, mas pensa somente em si mesmo, nas suas próprias vantagens, não compreendeu a mensagem do evangelho. Tantos outros, mesmo sem seguir Jesus, homens e mulheres que se preocupam com o próximo, na verdade, estão fazendo a vontade de Deus. A caridade está acima de tudo, é a lei máxima da vida. Mesmo não sendo cristão e não professando a fé católica, aquele que ajuda e que se interessa pelo outro, que tem um coração cheio de misericórdia e compaixão, está vivendo a proposta do evangelho.

São Tiago vai dizer que não basta ser somente homem de fé, pois a fé sem as obras é morta. São as nossas ações amorosas que nos identificam com o projeto de Jesus. Quando falamos de amor, mas tratamos mal os outros, de modo grosseiro e indiferente, a nossa fala é mentirosa. Falamos mas não fazemos. Quando participamos da missa, rezamos, cantamos, louvamos, recebemos a eucaristia, mas depois, nos afastamos do próximo, tratando-o de modo frio e distante, é sinal que não celebramos. Cumprimos apenas o preceito, mas nós esquecemos daquilo que é fundamental no seguimento a Jesus: o amor aos irmãos.

Estamos neste mundo para deixarmos marcas de amor por onde passarmos. E esta será a única bagagem que levaremos deste mundo para o outro. E isto independe da religião que professamos, ou, inclusive, sem nenhuma religião. É nossa missão nesta terra deixarmos um legado, baseado no respeito ao próximo, na dignidade de cada ser humano, na acolhida a todos, independente de sexo, raça, cor, religião. Na verdade, não é a religião que salva, mas o amor livre e desinteressado, não importa a quem. Muitas vezes a religião destrói, afasta as pessoas, divide, separa, julga e condena. Jesus não defendeu a religião, mas ele defendeu a dignidade de cada pessoa. A sua preocupação foi com a saúde de todos, com a partilha e com a acolhida, sobretudo, aos doentes, pobres e excluídos da sociedade. Ele, inclusive, se colocou contra a religião do seu tempo, preocupada em cumprir as normas, as leis, deixando o próximo em segundo plano.

Fazer o bem, acima de tudo, é a grande mensagem do evangelho. Acredito que no julgamento final Deus não nos perguntará quantas horas rezamos, quantas missa participamos, e quantas novenas estivemos, nos cultos que celebramos, mas sim, o amor que tivermos feito em prol do irmão. Isto não quer dizer que a oração não seja importante, muito pelo contrário, mas se ela não nos levar a amar de modo desinteressado, foi apenas um rito vazio.

A nossa atitude deverá ser de partilha, de solidariedade, de respeito, de bondade, não importando qual seja a religião. Esta é a grande mensagem de Jesus no evangelho.

Publicado na edição 1132 – 27/09/18

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