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Fé no futuro!

A trajetória da humanidade tem sido marcada por avanços e retrocessos, mas é forçoso concluir que nossa espécie cresceu em conforto, conhecimento e nos demais indicadores de bem estar ao longo dos tempos. Mesmo no tocante ao progresso social, área em que se observam tantas mazelas nas nações pobres ou até nas ditas economicamente desenvolvidas, temos evoluído significativamente e facilitado o acesso à  melhoria das condições de vida. Na maior parte das sociedades antigas os frutos do saber e da riqueza eram acessíveis apenas à nobreza, sendo que a grande maioria era formada por escravos e cidadãos marginalizados. Durante esta trajetória ascendente sempre houve momentos onde a fé no porvir aumenta ou diminui. A evolução, no entanto, é fruto dos que persistem e buscam um mundo melhor, mesmo em meio aos cenários mais desoladores. É muito conhecida a forte e significativa imagem das mulheres alemãs que saíam às ruas para trabalhar logo após os bombardeios devastadores que as atingiam. Elas estavam munidas apenas de singelas vassouras, na maioria das vezes. Os homens e os jovens haviam sido enviados para as frentes de batalha pelas lideranças do 3º Reich que se recusavam admitir a derrota iminente. Corria o ano de 1945 e grande parte das cidades estava destruída pelas bombas dos Aliados, nesta mesma nação que hoje é conhecida como a locomotiva da Europa. Tenho recebido diversos convites para apoiar a campanha pela manutenção do número de vereadores em Araucária. O argumento apresentado é que a elevação para 15 cadeiras não irá melhorar a representatividade, pois o processo eleitoral faz com que apenas pessoas sempre semelhantes e com campanhas caríssimas continuem se elegendo. No mês em curso, a Câmara dos Deputados aprovou o início de um projeto de impeachment presidencial. Foram votos favoráveis de deputados que alegavam assim agir em nome de suas próprias famílias e do intitulado clamor das ruas, enquanto se pavoneavam para as câmeras de televisão. Poucos justificaram seu voto em função da existência ou não de crime de responsabilidade da mandatária, que é a exigência constitucional para interromper o mandato de um presidente eleito. Nem de longe o show de horrores apresentado pelos deputados parecia lembrar o que está realmente em jogo: crise econômica, desemprego, respeito à Constituição, regime de partilha ou regime de concessão do petróleo do pré-sal e outros pontos de igual relevância. Os vereadores e os deputados têm funções muito semelhantes e são igualmente eleitos pelo voto popular, variando a área de atuação. Já defendi que o aumento do número de vereadores democratizaria o acesso de representantes de outros segmentos da sociedade, mas posso mudar minha opinião sem nenhum problema. O cerne da questão é que, com maior ou menor número de cadeiras em jogo, a qualidade do nosso voto é que vai fazer a diferença. A confiança no futuro e a garimpagem de material de qualidade para a necessária reconstrução das cidades é que motivava as valorosas mulheres alemãs. Precisamos participar da política com seriedade e com foco na construção de um mundo melhor. Tenhamos ou não mandato, precisamos fazer o que nos é possível.

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