Pelo menos por alguns dias, esqueçam a Dilma! Esqueçam o seu impeachment. Esqueçam o Cunha. Esqueçam o Lula. Deixem pra lá a Lava Jato. Parem de idolatrar o Moro. Voltem suas atenções para Araucária, para a cidade onde moramos. É aqui, bem agorinha, que estamos vivenciando um momento histórico: a recomendação feita pelo Ministério Público local para que, finalmente, a Câmara de Vereadores legalize e moralize a questão do número excessivo de cargos em comissão existentes naquele órgão.

Enquanto sociedade, precisamos urgentemente dar apoio ao MP e monitorar como os vereadores irão se comportar diante dessa recomendação. Se nossas excelências forem corretos, probos, preocupados com a boa serventia do dinheiro público, eles aproveitariam este momento para cortar na própria carne e não somente atender ao que solicita a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Fariam mais: reduziriam significativamente os números de comissionados, dois, três, no máximo por gabinete. Reduziriam os salários desses servidores para, no máximo, setenta por cento do que ganha um edil. Alguém, no entanto, crê que é isso o que está sendo gestado pelos bastidores da Casa? Infelizmente, nem eu, um otimista nato, acredito nisso.

Há edis em nossa Casa de Leis, assim como há postulantes a vereadores nas eleições deste ano, que não entendem que a administração pública está mudando. Não há mais espaço para o guatambu. Não há mais espaço para eventuais negociações nada republicanas entre o ocupante da cadeira e aqueles que ele decide nomear como assessor. Não precisamos mais de uma Câmara que se presta apenas a referendar os atos do Poder Executivo. Não queremos mais uma Câmara que produz pouco e custa muito. É inadmissível que tenhamos um Legislativo cuja principal função social hoje é o assistencialismo. Não queremos vereadores que se gabem por comprarem remédios, levar gente pra hospital, pagar conta de luz e assim por diante. Precisamos de parlamentares que entendam que cada eleitor puxado pro hospital, cada conta de luz paga é uma auto de admissão de incompetência legislativa. Sim, porque se eles tivessem fazendo seu trabalho corretamente, teríamos uma cidade capaz de promover socialmente seu cidadão.

Justamente por isso, é que vem em bom momento, para não dizer com certo atraso, a recomendação do MP. É uma oportunidade que o órgão ministerial dá para que nossos representantes no Legislativo façam a coisa certa. Mais do que isso, é uma oportunidade para que a Câmara repense sua função. Reflita sobre sua atuação até aqui. É, do mesmo modo, mais uma chance que a história está nos dando para participarmos deste momento de moralização de nosso Município. Enquanto cidadãos, devemos exigir que a nova estrutura de cargos em comissão do Poder Legislativa seja enxuta, condizente com as necessidades de um vereador. Quero dizer, condizente com as necessidades funcionais de um vereador e não com sua sanha de poder, de estrutura pessoal.

E que os pré-candidatos a vereador nas eleições municipais deste ano também tenham consciência de que se, eventualmente, já houve algum edil que ficou rico apenas exercendo um cargo público na Câmara, esse tempo já passou. Então, se o objetivo dessas pessoas ao entrar para o parlamento era este, sinto muito! Perdeu, playboy!

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