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Ideb é um índice equivocado de avaliação da educação


O Ideb é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, supostamente formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino. Na verdade, a nota deveria ser anotada para as políticas sociais e educacionais do governo.

Índices objetivos para avaliar situações subjetivas são sempre enganosos. É o caso do Ideb. Com base nas notas de estudantes em determinadas provas, é feita uma espécie de ranking entre escolas.

É um problema sério quando isto passa a referenciar a política de educação. Acaba gerando distorções danosas para o desenvolvimento pedagógico. O Ideb não considera as diferenças entre as regiões, a realidade diferenciada entre as comunidades, as particularidades de cada escola e seus estudantes.

Governos e setores privatistas aproveitam índices baixos para apontar o dedo culpando os professores, atacar direitos trabalhistas e colocar a educação pública a serviço do capital privado.

Avaliações educacionais deste tipo são falhas porque não levam em conta o contexto onde a escola está inserida. Podemos citar, em uma avaliação anterior, o caso de uma professora que atuava em duas escolas em Araucária, cujas regiões têm características muito diferentes. Em uma, que é uma escola central, a nota obtida foi 7. Na outra, um local distante e com poucos recursos, a nota foi 5,6. Ela conta que justamente a escola com índice menor era que exigia mais dos professores para contornar as dificuldades. É muito fácil para o governo e outros órgãos públicos colocarem a culpa nos professores. Assim, restringem direitos e investem cada vez menos.

Se há alguma utilidade para índices como o Ideb, seria indicar quais unidades educacionais precisam de maior investimento. Da mesma forma, deveria mostrar ao poder público as regiões da cidade que necessitam de maior atenção.

Portanto, se a rede de ensino de Araucária tem média no Ideb abaixo das médias estadual e nacional, o sinal está claro. O governo municipal precisa ter maior cuidado com a educação pública, seus profissionais, e também com as populações que utilizam este serviço.

No entanto, parece não ser este o entendimento do governo Hissam. As escolas e os Cmeis carecem de materiais didáticos, espaços para atividades pedagógicas e de estrutura adequada para um melhor desenvolvimento educacional. As novas construções são urgentes e não conseguirão recuperar todo esse atraso.

O Município tem compromissos a cumprir, estratégias a desenvolver para alcançar as metas do Plano Municipal de Educação para a educação até 2024. Porém, o governo dá a impressão de tratar a lei como letra morta. Deteriora as condições de trabalho, não atende à lei do piso no que se refere à hora atividade e persegue professores com políticas excludentes usando de argumentos como esse para sua arbitrariedade.

Publicado na edição 1131 – 20/09/18

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