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Ignorante com iniciativa!


Já faz um bom tempo, mas recordo-me como se fosse hoje. Participava de uma palestra sobre formação de equipes vencedoras com um desses consultores em recursos humanos. Em certo momento do evento, ele veio com o ensinamento do imperador francês, Napoleão Bonaparte, sobre a classificação de seus soldados.
Vocês talvez já tenham ouvido esse ensinamento. É muito comum entre profissionais de recursos humanos. Conta a história que Napoleão classificava seus soldados em quatro tipos: 1) inteligentes com iniciativa; 2) inteligentes sem iniciativa; 3) ignorantes sem iniciativa; 4) ignorantes com iniciativa.
Aos inteligentes com iniciativa, Napoleão reservava as funções de comandantes gerais, estrategistas. Já os inteligentes sem iniciativa se tornavam oficiais que recebiam ordens superiores, pois com certeza as cumpriram com esmero. Por sua vez, os ignorantes sem iniciativa eram colocados no front de batalha, meio que para levar tiro mesmo e proteger por certo tempo os oficiais mais graduados e dar tempo para que as estratégias do general dessem resultado. Já os soldados do quarto tipo, ou seja, ignorantes com iniciativa, Napoleão não queria nem saber de tê-los em seus exércitos. Isso porque a chance deles fazer besteira era muito grande.
Volta e meia, tento aplicar essa classificação aos nossos políticos e, cada vez mais, infelizmente, vejo que estamos cheios de ignorantes com iniciativa. Um tipo de representante da nossa população extremamente prejudicial a nossa cidade, pois na maioria das vezes ele é incapaz de se dar conta das besteiras que diz e faz e, por mais bem intencionado que seja, suas iniciativas tendem a ser uma tremenda perda de tempo e, na gestão pública, essa perda de tempo reflete sempre prejudicialmente na comunidade que ele representa.
Por exemplo, nos últimos dias, em conversas com nossos vereadores, tenho visto muitos deles cheios de ideias. Isso poderia até ser animador, mas o problema é que essas ideias são muito ruins, mas muito, tipo muuiiittooo mesmo! E isso tem feito deles verdadeiros ignorantes com iniciativa.
Sempre que me é dada a oportunidade, digo a eles que, por mais animados que estejam com o início do mandato, governo novo e tudo o mais, no âmbito legislativo é preciso estudar e pesquisar antes de agir. Muitos têm me falado que vão propor leis, requerimentos, que vão fiscalizar in loco e blah, blah, blah. Beleza, legal, mas o que eles não se dão conta é de que as leis que eles querem propor já existem, que os requerimentos que eles querem fazer o próprio cidadão pode protocolar diretamente no órgão público responsável e assim por diante.
Então, início de mandato de vereador é tempo de estudar. Estudar a lei orgânica do município, o regimento interno da Câmara e várias outras leis que, no âmbito municipal, já preveem quase que a totalidade daquela ideia genial que alguém acha que teve. Como sugestão de leitura, aliás, fica a dica aos nossos representantes de algumas legislações que necessariamente precisam ser lidas e entendidas por vossas excelências antes de querer bancar o ignorante com iniciativa. Bons exemplos disso são o Estatuto dos Servidores (lei 1703/2006). Plano de Carreira dos Servidores (1704/2006). A lei complementar do Plano Diretor (5/2006) e todas as suas cinco derivadas: Código de Obras e Posturas (2159/2010), Zoneamento e Ocupação do Solo (2160/2010). Parcelamento do solo urbano (2162/2010).Perímetro urbano (2163/2010) e Sistema viário (2161/2010). E essas são apenas algumas das mais de três mil leis existentes hoje em Araucária.
Para encerrar, ao contrário do que pensava Napoleão, penso que é sim possível evoluir de um ignorante com iniciativa para um inteligente com iniciativa. Aliás, creio que esse é o grande desafio de quem entra para a vida pública. Todos começamos ignorantes neste quesito, o que não é um defeito. Defeito é não reconhecer tal condição e procurar melhorar.
Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

2 comments

  1. Este texto de Waldiclei Barboza​ me fez lembrar da seguinte reflexão que escrevi em 2012; época na qual eu ainda sonhava em ocupar uma cadeira na Câmara a fim de me aplicar no sentido de “convulsionar” a política em Araucária. Atualmente, um pouquinho mais “ajuizado”, recuso-me concorrer a qualquer cargo eletivo e, em função disso, sofrer o preconceito por parte daqueles que não conseguem fazer distinção entre política e corrupção. Embora pouco me incomode, eu não mereço e nem vejo razões para passar por isso outra vez.
    Voltemos aos textos, compare-os:
    “O(a) vereador(a) deve utilizar os instrumentos legais já estabelecidos, aplicando-os à realidade do seu município. Entendo ainda que para cumprir com suas atribuições de criar as leis de competência do legislativo, analisar e aprovar as de competência do executivo, assim como fiscalizar todos os serviços e obras públicas, o(a) vereador(a) deve e precisa escolher uma equipe de assessores qualificados (em Araucária os recurso$ para isso existem). Ainda, o(a) vereador(a) deve contribuir com o fortalecimento do Controle Social, pois é imprescindível a participação popular nas proposições de diretrizes, na fiscalização, regulação e deliberação no que diz respeito as políticas públicas.” – Elias Derevecki.

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