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Acompanhei na semana que se passou uma reunião entre a Secretaria de Saúde e representantes de associações de bairros. Em pauta, um boato sobre o fechamento do pronto atendimento NIS. O que vi ali foi a mais pura demonstração de como nossos gestores são fracos e como aqueles que se dizem representantes de bairros são despreparados.

Digo isto porque, ao invés de nos preocuparmos com a qualidade e agilidade no atendimento daqueles que precisam dos serviços de urgência e emergência prestados pelas unidades de pronto atendimento 24 horas, ficamos perdendo tempo pedindo para que uma estrutura condenada pelo tempo e por decisões politiqueiras continue a “mal funcionar”. Sim, porque todos com um mínimo de consciência sabemos que o prédio onde funciona o NIS 24 horas está com a data de vencimento expirada. E ali o caso não é de reforma, porque – como já disse num texto anterior – entra gestão, sai gestão, todos os mandatários dão um jeito de maquiar aquela estrutura. Ora, se o local precisa ficar sendo reformado a cada dois anos e sempre continua a mesma coisa, é porque ele não serve mais para o propósito para o qual foi criado.

Se tivéssemos políticos realmente comprometidos com o erário e com o bem maior, já teríamos fechado o NIS. Ideia, aliás, que já era pregada pelo então secretário de Saúde, Haroldo Ferreira. Lembro-me de várias conversas que tive com ele em que o assunto vinha à tona. Tanto é que foi para isso que a UPA do Planalto foi criada: para substituir o pronto atendimento do NIS. É óbvio, no entanto, que o intento não deu certo. Afinal, a UPA foi erguida muito ao Sul de Araucária. O correto seria que a construção fosse feita num ponto equidistante de todos os bairros da cidade. Talvez, ali, ao lado de onde hoje está o Hospital Municipal de Araucária (HMA), facilitando – inclusive – o referenciamento a este último quando fosse o caso. Mas, interesses politiqueiros, creio eu, levaram a UPA ao jardim Planalto e fizeram dela um problema ao invés de solução.

Para piorar a situação, o Município ainda desapropriou o antigo Hospital São Vicente de Paula, descentralizou o atendimento 24 horas infantil, que também era feito no prédio do NIS e onerou ainda mais os cofres municipais, sem que isso representasse necessariamente, uma melhora significativa ao cidadão araucariense.

Resumindo a situação, hoje temos três pronto atendimento (NIS, PAI e UPA), que não funcionam com a plena capacidade porque a cidade não tem condições financeiras para tal. Tanto é que, como todos sabemos, os recursos humanos que atendem nestes locais (médicos, enfermeiros, auxiliares e outros) é o mesmo que há quatro anos trabalhava num mesmo local. Ou seja, uma equipe (que trabalhava toda no NIS) foi dividida em três somente para atender os interesses politiqueiros de alguém. É óbvio que isso não poderia dar certo!

Se o gestor atual quisesse mesmo ser diferente e buscasse priorizar o cidadão e a qualidade do atendimento, ele faria duas coisas. Primeiro, centralizava o atendimento de urgência e emergência num único 24 horas, de preferência no antigo São Vicente de Paulo: uma estrutura hospitalar, com mais de cem leitos, que pode muito bem ser transformada numa unidade 24 horas para uma cidade de 150 mil habitantes. Isto sem contar que o antigo hospital está na área central da cidade, na mesma rua do HMA, o que facilitaria o deslocamento dos pacientes num caso mais grave. Segundo, reunificava as equipes, o que daria mais condições de trabalho a esses profissionais, que hoje estão tendo que se virar nos trinta, para fazer o seu serviço com alguma qualidade.

É óbvio que num primeiro momento isto geraria críticas aos gestores, mas como não elegemos comandantes para tomar apenas decisões fáceis, eles que convivam com isso. Mas, passado algumas semanas da centralização, as pessoas começariam a notar que ela foi benéfica e o ranço inicial iria para o espaço.

Ah, e o prédio do NIS? Bem, se não pudéssemos reaproveitá-los como sede da SMSA ou algum outro setor da Prefeitura, sugiro a implosão do prédio. Daí, aqueles que gostam tanto do NIS e querem que ele permaneça aberto, mesmo que o atendimento oferecido ali não seja bom, poderiam levar um pedacinho dos escombros pra casa, pra colocar em cima da estante, como recordação. Eu, como prefiro agilidade e qualidade nos serviços públicos e não quantidade e precariedade, dispenso meu pedaço de tijolinho.

Boa semana a todos e até uma próxima. 

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