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Independência ou morte!


Embora considere o papel do Poder Legislativo indispensável para a nossa sociedade, cada vez mais vejo que aqueles que ocupam os cargos de parlamentares fazem confusão de qual é o seu papel no jogo da democracia.
Vejamos o caso aqui de Araucária. Teoricamente os vereadores foram eleitos para legislar e fiscalizar, sendo esta segunda tarefa – entendo eu – a mais importante. A fiscalização que precisa ser feita é a dos atos praticados pelo Poder Executivo e para que isso seja realizado de maneira eficiente os membros da Casa de Leis têm que ter uma atuação independente, isenta.
No entanto, em Araucária, assim como no Brasil de uma forma geral, acontece uma coisa muito louca. Mal assumem seus mandatos e os parlamentares já vão lá e se definem como de situação ou oposição ao Poder Executivo. E ainda fazem questão de se gabar dessa condição. Ora, não interessa qual dos lados o edil escolheu, já que ambos ferem de morte a função para a qual ele foi eleito.
Pensem comigo, um vereador que se declara de situação e sabidamente tem vantagens junto ao Poder Executivo terá condições de fiscalizar de maneira isenta esse ente público? Ora, como auditar de maneira independente um órgão quando você se declara pertencente à base de apoio dele?
Do mesmo modo, como o vereador de oposição exerce a missão outorgada pela população por meio do voto se, já de cara, ele admitiu pra todo mundo que é contra o grupo que chefia a Prefeitura? Ora, não tem como fazer isso sem se contaminar pela necessidade de achar algo errado, não interessa em que lugar seja, não interessa nem mesmo se esse “algo errado” não existe.
Talvez seja justamente pelo fato de os membros do poder legislativo, seja ele municipal, estadual ou federal, terem essa necessidade louca de escolher um lado que, cada vez mais, o exercício de seus mandatos têm se tornado irrelevante aos olhos da comunidade. A maioria das pessoas parece não acreditar mais naquilo que os edis dizem e fazem. Sempre veem segundas intenções em suas atitudes e fazem isso porque o bendito do parlamentar já escolheu um lado lá no início do mandato. Logo, se a tal fiscalização resultou numa crítica ao prefeito é porque é de oposição e está com algum interesse. E, do mesmo modo, se essa ou aquela vistoria acabou num elogio ao chefe do Executivo é porque ele é de situação e está tendo algum tipo de vantagem.
Precisamos urgentemente de vereadores que se declarem independentes, que prezem pelo exercício de seu mandato de forma plena, sem pensar se o resultado disso lhe renderá mais um mandato. Só quando isso acontecer é que efetivamente teremos um Poder Legislativo que nos dê orgulho, que valha realmente a pena defender. E, pelo andar da carruagem, ainda não será nesta legislatura que isso acontecerá. Uma pena…para a cidade!
Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

One comment

  1. Excelente matéria! Se metade da população pudesse ler e entender, nossa briga por democracia e justiça seria mais forte…
    Infelizmente esse contexto de jogo de poder faz parte do cenário político mundial…
    No Brasil piora e fica negativo pq os poderes compactual entre si e, mesmo estando na Constituição a democracia fica de lado.
    Nossa política é formada por ideologias Americanas, alemãs, italiana… Mistura tudo e no final essa salada não vira em nada!!
    Um exemplo:
    Quando o juiz tem uma decisão que não é aceita pelo réu, isso também pode ser analisado pelo Supremo. Pode também o Supremo ter uma visão diferente ( lembra que o Supremo reformado não somente por um juiz)… mesmo tendo a decisão do supremo definida por determinada causa, ainda sim um juízo isolado não vai cumprir o que o Supremo indica.
    Depois falamos sobre segurança jurídica, Mas onde está a segurança jurídica??
    Enquanto não houver um órgão que realmente seja justo, julgue e “mande” nada disso da briga dos poderes vai mudar…

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