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Leve-me ao seu líder!


Se Araucária fosse invadida hoje por alienígenas e eles dissessem a célebre frase “araucarienses, levem-nos ao seu líder”, estaríamos em sérios apuros. Afinal, é impressionante o tamanho do deserto em que vivemos em termos de lideranças políticas nesta cidade.

Araucária, uma cidade centenária, erguida por imigrantes poloneses, ucranianos, entre outros, que passou por um grande processo de industrialização na década de 1970, o que atraiu para cá milhares de operários, deveria estar entupida de lideranças políticas capazes de carregar em seus ombros os anseios deste Município. Sabe-se lá porque, no entanto, não temos um só operário, sindicalista que seja, que tenha trabalhado nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), nossa maior empresa, e na construção da Cidade Industrial de Araucária (Ciar) e que ficou por aqui para fazer carreira política, como é muito comum em outras regiões do país. Do mesmo modo, pasmem, não temos descendentes de famílias tradicionais, do período da gentil tindiquera, defendendo esta cidade atualmente no campo político.

Talvez seja justamente pela falta deste, digamos assim, bairrismo, que as tradições polonesas e ucranianas tenham sido deixadas de lado já há algum tempo por estas bandas. Também deve ter sido isto que nos levou a não ter sequer um líder operário ou sindical de nossa cidade industrial que seja símbolo de alguma grande conquista nesta terra dos pinheirais.

Somos uma cidade sem líderes inspiradores. E esta falta de bons exemplos de massa a ser seguida nos leva ao cenário atual. Uma cidade à beira do início de um período eleitoral que não tem grandes líderes políticos aptos a disputar o cargo mais importante da estrutura política araucariense. Tanto é que a pessoa apontada como a nossa principal alternativa para comandar a cidade é um neófito político. Alguém que jamais esteve ligado às reais necessidades da comunidade araucariense, que não tem uma biografia de lutas em prol de causas coletivas e assim por diante.

Deixo claro que não estou aqui dizendo que a falta de relevância social, cultural e comunitária, que é a vida de eventual candidato, para a cidade é a prova cabal de que ele não é uma boa opção. Pode ser que estejamos prestes a viver tempos áureos nesta nossa “jovem senhora”. Só considero deprimente o fato de não termos conseguido, ao longo das últimas décadas, construir lideranças, pessoas que nos inspiraram a fazer diferente, que nos deram exemplos positivos a seguir e que isso tenha feito com que estejamos considerando seriamente a opção de, como diz a linguagem popular, “ligar o f#%a-se e botar qualquer um aí para ver o que vai dar”. Araucária, sua história, nosso povo, merecia ter mais líderes à nossa disposição, nem que fosse para dizermos aos extraterrestres “qual líder vocês gostariam de ver, senhores alienígenas?”

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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