A história da cura da sogra de Pedro, que estava com febre, nos apresenta uma realidade muito presente em todas as ações libertadoras realizadas pelo Mestre. Imediatamente após a cura, ela se põe em pé e começa a servir. Isto acontece em praticamente todas as ações curadoras, realizadas por Jesus. Após ser curado, o até então doente física ou emocionalmente, se dispõe a segui-lo. Isto nos quer dizer que quando Jesus liberta as pessoas de todos os tipos de males, quer despertar no curado o desejo de servir. Quem está livre, quem não tem nenhuma doença, tem como missão, ajudar o outro, se colocar aberto e disposto a socorrer àquele que necessita do seu auxílio.

A verdadeira liberdade interior nos move em direção ao outro, com o desejo sincero de ser uma luz no seu caminho. Quem está livre, não consegue ficar fechado em seu mundo, e se põe em movimento, pronto para amar. O amor, entendido na ótica cristão, não é apenas um sentimento, mas sim, um comportamento, um modo de agir. O simples sentimento é momentâneo, passageiro, interesseiro, e assim que ele se desfaz, existe um distanciamento das verdadeiras necessidades do outro. Pelo contrário, quando se entende o verbo amar, brota de dentro do ser humano um compromisso diário de ajudar quem mais precisa, com a única intenção de fazer o bem. Somente livres de nossos interesses pessoais, de nossos egos, do nosso individualismo, de sermos o centro, seremos capazes de amar de modo desinteressado. Somente assim sentiremos o prazer de fazer o bem, não importa para quem.

As nossas energias devem ser canalizadas para a construção de um mundo melhor. Quando nos dispomos a fazer da nossa vida uma entrega por uma causa, por um projeto, que tem como centro a felicidade do nosso irmão, encontramos então, o sentido profundo da nossa existência. Quem pensa somente em si mesmo, nas suas próprias vantagens, nos seus interesses pessoais, demonstra estar amarrado por dentro, doente, amargurado, preso, carente de elogios e de demonstrações de afeto. Seguidamente encontramos pessoas que deixam a missão, se revoltam contra os outros, alegando ter feito todo o possível para ajudar na comunidade, mas ninguém reconhece o seu trabalho. Percebe-se nestas pessoas a falta da gratuidade, porque quem faz as coisas de modo espontâneo, sem esperar recompensa, demonstra alegria na missão.

Todos nós precisamos de uma conversão diária, que nos torne livres para amar. Que nos cure desta necessidade quase que doentia de sermos sempre elogiados, de sermos valorizados e bem falados pelos outros. Que nos transforme por dentro e nos torne pessoas saudáveis, porque livres para ajudar, sem esperar nada em troca. Jesus cura, liberta e salva, e quando alguém realmente se converte para ele, muda o seu jeito de ser e de viver. Quando alguém diz que se converteu para Jesus, mas continua apenas pensando em si mesmo, nos seus benefícios próprios, não entendeu absolutamente nada do que significa seguir Jesus.

Jesus foi um homem plenamente livre, e tudo o que ele fazia, tinha como objetivo, ajudar o próximo, sobretudo, aquele mais pobre e mais carente. Nunca fez nada pensando na sua glória, ou para se colocar em evidência, mas fez da sua vida uma entrega, uma doação, e como maior prova deste amor, morreu na cruz para nos salvar. Este jeito de ser do mestre, livre para amar, nos convida a encontrarmos o verdadeiro sentido da nossa existência, a colocarmos a nossa vida a serviço do outro. Grandes e imortais são os que doam sua vida pelo irmão.

 

Publicado na edição 1098 – 01/02/2018