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Luz que ilumina


A vela no passado servia e, muito, para iluminar as nossas casas. A maioria do povo não tinha a luz elétrica e se virava com a vela acesa. Raros eram aqueles que tinham o lampião de gás! A sua razão de ser era de se consumir para deixar claro o ambiente da casa. Na medida em que ela ia diminuindo, ela ia realizando a sua missão. A vela foi feita para ser acesa e clarear o espaço onde ela está.

Esta imagem da luz sempre foi muito forte na Igreja. Jesus diversas vezes se apresenta como a luz para a humanidade. No início da sua vida pública, o evangelista Mateus o apresenta como a luz no meio das trevas. Assim no templo, quando Jesus foi apresentado, o velho Simeão assim o define: ‘luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel’. Daí advém o costume de acender e abençoar as velas no dia da apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias depois do seu nascimento, no dia 02 de fevereiro.

Parece ser redundante dizer: ‘luz que ilumina’, porque o papel da luz é iluminar, do contrário, ela não é luz. Mas quem é esta luz? Jesus, claro, acima de tudo. Ele é apresentado como esta luz que vai tirar o povo da escuridão, das trevas, da perdição, do caminho do mal e de tudo aquilo que afasta o ser humano do bem e da vida. No entanto, como seguidores de Jesus, todos os batizados somos chamados a sermos esta luz na vida das pessoas que cruzam o nosso caminho. Sermos esta vela acesa, que brilha por onde passa. Mas será que todos nós realmente brilhamos, iluminamos o caminho dos nossos irmãos? Nosso papel é iluminar, mas quantas vezes estamos apagados e, sem brilho, sem luz, e não iluminamos por onde passamos? Tantos batizados que mais parecem pagãos do que verdadeiras testemunhas de Jesus!

Se a luz foi feita para iluminar, e, isto é óbvio, nem todos cristãos batizados compreendem esta verdade. Assim como Jesus foi apresentado no Templo e definido por Simeão como ‘luz para iluminar as nações’, cada batizado adquire no batismo esta mesma missão. Mas é preciso deixar que esta luz ilumine em primeiro lugar a nossa vida, porque só podemos oferecer aos outros, aquilo que nós temos e somos. Ninguém pode levar esperança, se vive no mundo das trevas, do desespero e do desânimo. Na medida em que deixarmos a luz de Jesus brilhar dentro de nós, então poderemos apresentar esta luz para a humanidade.

Uma pergunta: será que eu sou um facho de luz na vida das pessoas? Eu expresso através da minha vida que Jesus é realmente a luz no meu caminho? Brilha dentro de mim a esperança, a força e coragem que provém do encontro com Jesus? Muitas vezes falamos bonito a respeito dele, fazemos belas pregações, mas, no fundo, não permitimos que ele nos transforme por dentro e brilhe em nossas ações, em nosso dia a dia. Hoje o mundo está carente de cristãos batizados que revelem aos outros, o próprio Jesus, como a única luz capaz de brilhar e transformar suas vidas. ‘Mais do que mestres, o mundo necessita de testemunhas’, afirmava um grande teólogo da era moderna.

Assim como a vela que se consome para iluminar o ambiente, cada um de nós é chamado a se consumir, iluminando, animando, servindo aos irmãos, sobretudo, aos mais carentes e necessitados. Como dizia alguém, plenamente disponível a se doar pelo próximo: ‘quero chegar ao final da minha vida totalmente gasto pelo serviço aos irmãos’. Isso sim é luz que ilumina. Isso sim é que dá sentido à nossa existência. Sejamos esta luz que ilumina.

Publicado na edição 1197 – 30/01/2020

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