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Meu pirão primeiro!


 

Talvez não só em Araucária, mas no Brasil e no mundo como um todo, por mais que vivamos numa sociedade cada vez mais conectada em que se prega a necessidade de que tenhamos um olhar compartilhado do que é prioridade para a coletividade, quando o bicho pega mesmo, a regra de ouro segue sendo “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

O velho ditado popular nunca esteve tão presente por estas bandas. Nas últimas semanas, por exemplo, tive a oportunidade de abordar em alguns vídeos que faço para o canal de O Popular no Facebook e no You Tube notícias importantes sobre a realização de obras de pavimentação em estradas rurais de nosso município. Como se sabe, as reivindicações para que essas obras fossem executadas já existiam há muito tempo e, embora pessoalmente essas obras me beneficiem muitíssimo pouco, fico extremamente feliz de que elas estejam acontecendo.

E é esta felicidade enquanto cidadão araucariense que me acomete sempre que uma boa notícia relacionada à nossa cidade é anunciada que não vejo em muitas pessoas por aí. Para muitos, pouca importa se o asfalto irá beneficiar a região de Campina das Pedras, Capinzal e Colônia Cristina se ele não passar em frente à sua casa lá no Tietê, por exemplo. Ou lá no Tupy. Ou lá no Arvoredo e assim por diante. O olhar é sempre do próprio umbigo para o mundo e não o contrário.

E, embora o exemplo inicial aqui seja a pavimentação das estradas rurais, ele pode ser estendido a vários outros setores da administração pública. Dia desses mesmo, durante uma audiência pública em que se discutia as prioridades do governo para os próximos anos, um senhor reclamou que o orçamento da saúde havia crescido pouco e que saúde deveria ser prioridade. Na outra ponta outra questionou acerca do orçamento para habitação que – a seu ver – era baixo e reclamou que a grana para o transporte coletivo era muita alta. Um pouco depois, uma terceira reclamou do corte da linha Tupy-Pinheirinho e, meio que indiretamente, pediu para que ela voltasse, o que – por uma consequência óbvia – exigiria que mais grana fosse direcionada ao transporte coletivo. E nesta filosofia do meu pirão primeiro, consegue-se até reclamar de ações indiscutivelmente elogiáveis, como o passe livre para estudantes. Talvez, creio eu, por não ter um filho ou familiar matriculado numa escola pública. Ou, quem sabe, por não entender que a educação deveria ser a prioridade das prioridades numa cidade que almeja ser mais desenvolvida do que é.

Mas, enfim, o que pretendo aqui é convidar os que me leem a exercitar o sentir se bem pelas conquistas do meu vizinho de bairro, de segmento da nossa sociedade e assim por diante. Isto, obviamente, não quer dizer que devamos abdicar de brigar por obras e/ou ações que irão beneficiar minha rua, minha classe, eu pessoalmente. Nunca devemos abrir mão disso! Mas, com certeza, devemos evoluir no que diz respeito as brigas por Araucária!

Até uma próxima! Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br!

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