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Um dos policiais militares mais conhecidos e respeitados de Araucária “envergou” a farda cáqui da Polícia Militar do Paraná pela última vez neste final de semana. O cabo Marcelo José Strugala concluiu sua missão de servir e proteger a comunidade araucariense às 18h desta sexta-feira, 18 de setembro.

Foram 25 anos de trabalho. Entrou em setembro de 1996. Fez escola no Batalhão de Polícia de Guarda, em Piraquara, mas logo em seguida foi lotado em Araucária. Trabalhou ainda em Contenda, foi da Rondas Ostensivas Táticas (Rotam), em São José dos Pinhais e, posteriormente, voltou a Cidade Símbolo do Paraná, sua cidade de coração, onde está sua família.

Segundo Marcelo Strugala, ele sempre teve vontade de ser policial e entrou para a PM inspirado pelo pai, que também vestiu a farda cáqui. “A PM sempre foi minha vida. Como dizem, combati o bom combate, encerro agora minha carreira e guardo a fé”, destaca.

Falando sobre sua vida como policial, Marcelo Strugala ressalta os grandes parceiros que fez na PM. Um deles foi o sargento Silvio Sumocoski. “Juntos participamos de vários confrontos, fizemos várias prisões e chegamos até que responder judicialmente por termos cumpridos o nosso dever de servir e proteger. Mas graças a Deus fomos absolvidos”, recorda

Marcelo também ressalta a parceria de nove anos com Cabo Silveira, com quem dividiu a mesma viatura. “São muitos parceiros, muitas histórias, que vou levar pra sempre comigo”, acrescenta.

Outro orgulho que Marcelo diz ter tido ao longo da carreira foi ter feito parte da mesma equipe de seu falecido pai. “Ele serviu à PM do Paraná por 27 anos. Já não está mais aqui com a gente, mas sempre foi minha maior inspiração, na vida e no trabalho, emociona-se.

O cabo pontua ainda que, embora o sentimento seja de dever cumprido, a carreira na polícia também teve momentos tristes. “Vi amigos meu sendo mortos em confronto. Um deles foi o sargento Gervásio, que perdeu a vida numa ocorrência em Contenda. Outro foi o soldado Ronaldo, que morreu num confronto em Campo Largo”, lamenta. Marcelo Strugala pontua ainda que um dos momentos mais tristes de sua trajetória na Polícia foi o acidente de trânsito com uma viatura na Rodovia do Xisto e que vitimou fatalmente os soldados Edson e Edgar.

A missão de servir e proteger a população de Araucária também colocou Marcelo Strugala em ocorrências que marcaram profundamente sua vida. Ele se recorda, por exemplo, de uma situação na então ocupação irregular da Portelinha, no bairro Capela Velha. “Chegamos lá e havia um casal morto na casa. Ao lado deles o filho de apenas seis meses, que não foi poupado. Levou um tiro na cabeça, foi socorrido, mas acabou morrendo no hospital”, lamenta.

Mais recentemente, ele se recorda da situação do assalto ao carro forte que chegava ao Condor Supermercados, no bairro Costeira. “Vi várias pessoas baleadas e, entre elas, uma criança de aproximadamente cinco anos. Nós mesmos a socorremos e a encaminhamos a UPA do Planalto”, recorda.

Família

Com o dever cumprido, Marcelo afirma agora que vai poder se dedicar exclusivamente à família. “Vou cuidar da minha esposa, filho, minha nora e meu mais novo amor: minha netinha Alice, de sete meses”, encerra.

Marcelo em serviço por Araucária
O pai (segundo da direita para à esquerda) foi a inspiração para entrar na PM
Marcelo durante patrulhamento pela área rural de Araucária
Marcelo em serviço
Ao lado do colega de viatura numa conversa com morador local
Nova missão: agora aposentado, Marcelo vai se dedicar ao novo amor da sua vida, a netinha

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