Nós, da diretoria dos Sindicatos SISMMAR e SIFAR nos dirigimos ao vereador Celso Nicácio e demais vereadores, para manifes­tar nosso repúdio a todo e qualquer tipo de violência doméstica. Em especial ao vereador citado, que no último dia 03 de dezembro (domingo), foi detido pela Guarda Municipal, por ameaças dirigidas à sua ex-mulher.

A grande maioria de tra­balhadores do serviço público de Araucária são mulheres e mesmo a vítima não sendo servidora, manifestamos nossa solidariedade e esperamos que ocorra a punição devida, através dos trâmites legais e que o vereador seja cassado. Pois, como figura pública o vereador não pode continuar re­presentando os interesses do conjunto da população.

O que se sucedeu durante a ação da Guarda Municipal, também reforça nossa compreensão. Segundo relatos, houve tentativa de abuso de poder por parte do vereador. Consideramos uma postura inadmissível e desrespeitosa a todos os moradores deste município. Uma vez que se utilizava de veículo oficial, no momento da ocorrência. Entendemos que os recursos públicos devem servir para benefício da população, não para uso particular e muito menos para cometer agressões contra mulheres.

Outros vereadores uniram-se à Nicácio e realizaram Boletim de Ocorrência contra os servidores que estavam presentes na diligência. Com isso, colocam o sofrimento da vítima da agressão cometida em segundo plano e ainda atacam e culpabilizam os guardas municipais que estavam realizando seu trabalho. Além disso, na sessão da Câmara desta terça-feira (12), foi apresentado por um vereador requerimento solicitando a ins­tauração de uma Comissão para apurar a denúncia de “agressão, desacato e tráfico de influência” envolvendo o Nicácio. A proposta não foi aprovada pela maioria dos vereadores presentes. O que demonstra a cumplicidade com o agressor e o descaso com a vítima.

O que deveria ter acontecido é o inverso! Proceder com rigor contra a má-conduta de vereadores. Empatia e solida­riedade com todas as vítimas de violência doméstica. Acolhimento e projetos de lei que garantissem políticas públicas, às mulheres em situação de risco. Mas o que vimos é conivência com o machismo, cumplicidade com a violência doméstica. Tudo a favor de proteger um aliado político, agindo em prol de seus próprios interesses.

Nesse sentido, reiteramos nosso repúdio aos vereadores que estiveram ao lado do agressor. Não basta dizer que nunca bateu. É preciso posição e ação firmes contra a violência contra a mulher, contra o estupro e contra o feminicídio. Mas, mais uma vez, o exemplo dei­xado pela Câmara é o do cinismo e do descaso.

Celso Nicácio é só mais um, o machismo está presente nas relações em Araucária: os índices de violência contra a mulher no município são alarmantes (são registrados mais de 62 casos por mês! É a 3ª cidade com mais índices no Paraná). As mulheres sofrem violência não só no meio familiar, mas também no trabalho, na militância e mesmo em público. Episódios como: o secretário de cultura ofendendo uma conselheira, as guardas municipais sofrendo ofensas (pichações vexatórias no banheiro e também cotidianas) por serem mulheres, nas mesas de negociação sindicalistas tem que lidar com atitudes machistas por parte de secretários e do próprio Prefeito, exposição da vítima no jornal da cidade, entre outros.

Estes momentos reforçam a necessidade de discutir e lutar contra a violência de gênero presentes no dia-a-dia. Por tudo isso, ressaltamos nosso repúdio e dei­xamos nosso recado: Machistas não passarão!