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Muito além dos problemas salariais



Uma carreata com centenas de viaturas da Polícia Civil deu início, na tarde de segunda-feira, à semana de protestos marcada pelas entidades sindicais dos servidores estaduais. A manifestação chamou a atenção nas principais ruas de Curitiba, entre o Parque Barigui e o Centro Cívico. O funcionalismo estadual reivindica a retomada do pagamento da data-base, suspensa há três anos.

Para os servidores das forças da Segurança Pública, porém, a adesão ao movimento vai além das questões salariais. As Polícias Civil, Militar e Científica e os agentes penitenciários do Paraná têm enfrentado dificuldades e graves problemas nas condições de trabalho e falta de pessoal. Os dirigentes sindicais apontam que a situação chegou ao extremo nos últimos anos.

Para expor essa situação, os policiais civis, em ato simbólico, deixaram em frente do Palácio Iguaçu algumas viaturas paradas nas Delegacias por falta de manutenção ou por estarem sucateadas. Há duas semanas, escrevi neste espaço sobre a falta de pessoal nos quadros das forças de segurança. Só para lembrar, a Polícia Científica, que deveria ter 1,5 mil servidores, conta hoje com menos de 500.

É preciso deixar claro que a situação chegou a este ponto por falta de investimentos e planejamento que não são realizados há décadas.

Não se trata, portanto, de dificuldades criadas recentemente. São problemas que vêm se acumulando ao longo dos anos e que devem ser revertidos com máxima urgência.

Um exemplo gritante é a superlotação de presos em Delegacias, que ocorre por falta de investimentos na construção de casas de custódia, como presídios e penitenciárias. Também é gravíssima a falta de estrutura da Polícia Civil no interior do Estado. Dos 399 municípios, mais de 270 não possuem um policial civil sequer. Delegados, dessa forma, são forçados a dar plantão em mais de um município.

Muitos são os problemas e não posso deixar de apoiar os servidores das forças de segurança. Eles deixaram claro que não haverá paralisação dos serviços, mas apenas o cumprimento do horário de trabalho de 40 horas semanais. Isto porque, normalmente, as jornadas dos policiais vão muito além do previsto.

Também me solidarizo com a retomada do pagamento da data-base, ainda que de forma parcelada. É certo que o governo enfrenta problemas de caixa e possui limitações legais para folha de pagamentos. Mas é preciso observar que as perdas acumuladas nos últimos três anos chegam a 17%.

As perdas passarão de 20% caso não ocorra o pagamento em 2020. Tenho a certeza de que o governador Carlos Massa Ratinho Junior deverá manter negociações para apresentar uma proposta conciliatória.

Publicado na edição 1169 – 27/06/2019

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