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Negros e pobres são os mais afetados pela pandemia de coronavírus


Em tempos de pandemia, a desigualdade social fica ainda mais evidente. Nos Estados Unidos, país com maior número de mortes por coronavírus, com mais de 26 mil óbitos, estudos já revelam que as principais vítimas são negros e latinos. Em Illinois, 43% das mortes e 28% das pessoas infectadas são negros, enquanto os mesmos representam apenas 15% da população local.

A desproporção é semelhante em outros estados, como Carolina do Norte, Carolina do Sul, Louisiana e Michigan. Em Nova York, por sua vez, o coronavírus tem sido mais letal para os latinos, já que 34% dos mortos por Covid-19 são hispânicos, sendo que eles representam 29% da população nova-iorquina.

Isso está acontecendo porque nos Estados Unidos os negros e latinos encontram dificuldades de acesso à saúde, já que o país não tem um sistema público de saúde. Por lá, o custo de um dia de tratamento em um hospital não sai por menos de US$ 4.293. Isso tem feito com que a população mais pobre, como hispânicos e pretos, evite buscar o atendimento médico para não contrair dívidas.

No Brasil, embora haja um sistema gratuito de saúde que é exemplo inclusive para países desenvolvidos, a situação não é tão diferente devido à desigualdade social. Os mais pobres, entre eles os negros que representam 75% dessa população, são os mais afetados pelo coronavírus por diversos motivos. Enquanto o Estado oferece migalhas, essas pessoas continuam arriscando suas vidas tendo que trabalhar porque muitos patrões não estão deixando que os trabalhadores cumpram o distanciamento social.

Além disso, muitos sequer têm acesso a água ou álcool em gel, que são essenciais para a prevenção à Covid-19. Outros moram em casas de apenas um ou dois cômodos e encontram dificuldades no isolamento, já que as residências costumam abrigar muitas pessoas. Como precisam trabalhar para prover o sustento da família, também é provável que muitos demorem a buscar ajuda médica quando sentirem os sintomas do vírus.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, do número total de hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave 23,9% são negros ou pardos. Do número total de mortos, eles chegam a representar 34,3%. Enquanto a população branca apresenta números diferentes, com mais internações (73%) e menos mortes (62,9%).

No Ceará, onde mais de 3 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza com até R$ 89 por mês, o número de casos de Covid-19 já passou de dois mil. Enquanto isso, conforme explicou o Secretário da Saúde do estado nesta terça (14), 90% dos leitos de UTI já estão ocupados.

Por isso, quando os primeiros casos foram detectados no país era essencial que os governos tivessem tomado as devidas medidas de prevenção e combate. Já era evidente que o Brasil não teria estrutura para enfrentar a situação caso ela se agravasse. Porém, um mês se passou desde o início do surto de coronavírus e o que vemos até agora por parte do Estado é o desprezo aos mais pobres e um discurso genocida do governo federal, que incentiva o brasileiro a continuar vivendo normalmente em meio a uma pandemia sem precedentes.

Publicado na edição 1208 – 16/04/2020

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