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No Brasil é preciso lutar contra o vírus e contra Bolsonaro


O Brasil é o país que tem o pior líder no combate ao coronavírus. Enquanto muitos países se unem para evitar o contágio pela Covid-19 e focam no atendimento aos doentes e descoberta da vacina, em nosso país a coisa é diferente. Além de combater o vírus, é preciso combater o Presidente da República que se aproveita da crise de saúde para instalar um golpe contra a democracia.

No último domingo (3), Bolsonaro voltou a convocar e participar de manifestações contra o Supremo Tribunal Federal (STF), contra o Congresso e pela intervenção militar. Centenas de pessoas, muitas delas sem utilizar máscaras, desrespeitaram o distanciamento social e foram até a frente do Palácio do Planalto para participar dessas ações antidemocráticas e inconstitucionais.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, jornalistas foram agredidos a socos e pontapés por criminosos incentivados por Bolsonaro. Em meio à pandemia que já matou mais de 8 mil só no Brasil, enfermeiros que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus foram agredidos por essas pessoas que dizem atender ordens de Olavo de Carvalho.

A ala bolsonarista também aproveitou para criticar o ex-ministro Sérgio Moro e pedir por uma espécie de novo AI-5. Nesse último pedido, é preciso lembrar que o Ato Institucional Número 5 foi um decreto da ditadura militar, em 1968, que inaugurou o período mais sombrio da história brasileira recente, pois permitiu a perseguição, tortura e assassinato de centenas de pessoas.

Em um país com instituições democráticas que funcionam, os criminosos que pedem a volta da tortura e prometem “exterminar a esquerda comunista” seriam penalizados, inclusive o governo. Mas, no Brasil, além de não responderem por esse tipo de crime, são apoiados pelo presidente que afirmou que “o erro da ditadura foi não ter matado mais”.

Diferente da Alemanha de hoje, que olha para o seu passado e reconhece os crimes bárbaros cometidos pelos nazistas, no Brasil ocorre uma tentativa de distorcer a história. Bolsonaro e Forças Armadas insistem em chamar o golpe de 1964 de “revolução” e tentam fazer a população acreditar que a ditadura salvou o Brasil da “ameaça comunista”. A verdade é que centenas de pessoas foram perseguidas, torturadas e assassinadas durante a ditadura militar. A extrema-direita faz isso para justificar a sua intolerância contra todos os aqueles que não abaixam a cabeça para os desmandos desse governo.

Enquanto o presidente afirma que “não tem mais diálogo” e endurece o autoritarismo, as instituições responsáveis por defender a democracia nada fazem. Senado, Congresso e STF não analisam as dezenas de pedidos de impeachment e Bolsonaro faz o que quer. Chegou a mandar a imprensa “calar a boca”, assim como fez o general Newton Cruz no penúltimo ano de ditadura, quando agrediu o jornalista Honório Dantas ao vivo.

É urgente que Bolsonaro saia da presidência e que a democracia seja restabelecida. Para isso, é preciso fortalecer a resistência e exigir que a Constituição de 1988 seja respeitada. Não é possível um presidente que atenta contra a democracia e contra a vida, a dignidade e a saúde do povo! Fora Bolsonaro!

Publicado na edição 1211 – 07/05/2020

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