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Nossas escolhas

Seguidamente ouvimos alguém dizer que tem o dedo ruim para escolher. Este também é o comentário que as comadres fazem sobre alguém que vive na sofrência e que mesmo com seguidas trocas de parceiro ou parceira, sempre se une a alguém que é dependente de álcool, malandro, escorado ou que consegue a façanha de reunir todas estas más características e ainda outras. Os comentários tornam-se repetitivos e as queixas de agressões, de agruras financeiras e de muito sofrimento, se acumulam e vão movendo a língua daqueles que se ocupam com a vida alheia. Aliás, estas se moveriam por qualquer outro motivo porque língua não tem osso e a fofoca é um esporte que quase todos admitimos praticar, salvo os mentirosos ou alguns poucos bem disciplinados. Por certo que me refiro aqui ao comentário feito sem fim destrutivo, servindo mais para constatação do ocorrido. Nos meios de comunicação da atualidade, as pessoas públicas são muito mal avaliadas e é grande a revolta com suas atitudes. É natural haver discordâncias, principalmente com os que estão sempre expostos e que precisam tomar decisões. Muitos são extremamente mal-falados e ainda sim se elegeram até por várias vezes. Será que nós temos “dedo ruim”? Afinal, são tantas as queixas sobre os serviços de saúde, educação, legislação e tantas outras áreas da sociedade que custa a crer que continuemos elegendo a quem avaliamos tão mal. Nossa escolha é livre, o voto é secreto e os candidatos saem do meio de nós. Não estamos conseguindo separar o que é promessa vã daquilo que é pronunciado com a nobre intenção de promover o bem da maioria. Chegará o dia que não mais nos iludiremos com a fala macia, com o discurso agradável e escolheremos alguém que vá agir de forma correta. Até lá, continuaremos sendo enganados pelos agrados e ilusões em que acreditamos ou em que fingimos acreditar. Como aqueles infelizes personagens que vivem na sofrência, é preciso agir corretamente para mudar nossa sorte e a de nossas comunidades. É preciso trocar o critério que nos faz escolher e selecionarmos sempre os melhores para destinar nosso apoio. Não é o dedo que é podre.

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