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O Deus de Jesus

Para compreendermos quem é Deus, precisamos conhecer quem é Jesus. Ele veio para revelar a verdadeira face de Deus. Através de suas palavras, de seus gestos e das suas ações, ele foi manifestando ao mundo o rosto do Pai. E, naturalmente, ele surpreendia a todos os que o acompanhavam, sobretudo, aos doutores da lei e aos fariseus, através das parábolas que ele apresentava, falando sobre o seu Pai. Mexe com as estruturas, com a imagem de um Deus cheio de amor e de misericórdia, que se coloca claramente ao lado dos mais sofridos, abandonados, e, dos pecadores. Ele mesmo vai dizer: ‘não são os sadios que precisam de médico, mas os doentes’. E isto escandalizava os puritanos, os cumpridores da lei, os que se julgavam perfeitos e merecedores do Reino de Deus.


A parábola do ‘filho pródigo’, em Lucas, é na verdade a parábola do ‘Pai misericordioso’. O filho não tem nenhum mérito nesta história toda. Ele simplesmente esbanjou tudo, jogou tudo fora, foi um grande pecador, e, se fosse julgado por suas atitudes, certamente seria condenado. Mas o pai o acolhe com festa, porque este seu filho estava perdido e foi encontrado, estava morto e agora voltou a viver. É a imagem do Deus de Jesus, sempre pronto a acolher, a fazer festa quando um pecador se arrepende e muda de vida.

A história do filho mais velho é a realidade daqueles que se julgam perfeitos, porque cumpridores da lei, mas sem amor no coração. Obedientes às normas, até de modo escrupuloso, mas são incapazes de amar. Claramente Jesus se refere aos fariseus, aos doutores da lei, que se julgavam os melhores, os certos, os corretos, e, portanto, autorizados a julgar e a condenar os pecadores. A atitude de Jesus os escandaliza, porque, para eles, os pagãos, os doentes, os pecadores, não mereciam a bondade e a misericórdia de Deus. Jesus, bem ao contrário deles, apresenta o rosto de um Deus Pai cheio de ternura e compaixão com aqueles que estão afastados e vai ao encontro deles, propondo o caminho da salvação.

Uma Igreja em saída é aquela que vai ao encontro dos que se afastaram e dos pecadores, dos últimos, que são, na verdade, os preferidos de Deus. Quantas vezes, na própria Igreja, encontramos pessoas que se acham as perfeitas, porque cumpridoras escrupulosas da lei, mas, incapazes de amor, de ternura e misericórdia com os mais fracos. Estes, que se julgam melhores e mais perfeitos, facilmente apontam o dedo, julgam e condenam. E Jesus faz uma alerta a eles: ‘eu não vim para condenar, mas para salvar’.

No fundo, todos nós somos um pouco daquele filho mais novo que se perde, porque diariamente pecamos, erramos e nos afastamos do caminho de Deus. E Deus, como o pai da parábola, está sempre pronto a nos perdoar, porque a sua bondade, a sua misericórdia não tem limites. Mas também, temos um pouco daquele filho mais velho que se acha melhor, mais perfeito, porque cumpridor da lei e dos preceitos. A arrogância, a autossuficiência, a intolerância, o conhecimento superior, são algumas das características deste filho mais velho, que está também presente dentro de cada um. Não é fácil mudar este jeito de ser, porque, como disse o próprio Jesus, é mais fácil ver o cisco que está no olho do outro, do que a trave que está no seu. A arrogância, com certeza, é um dos grandes entraves para a conversão. O Deus de Jesus é um Pai amoroso, bondoso, terno e compassivo. É este Deus que nos convida para a conversão, para a mudança, porque todos nós somos pecadores e necessitados do seu amor e da sua profunda misericórdia.

Publicado na edição 1180 – 12/09/2019

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