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O espírito santo, a nova lei


Pentecostes era uma festa judaica muito antiga, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Comemorava-se a chegada do povo de Israel ao Monte Sinai, onde Moisés recebeu de Javé a lei, os dez mandamentos. Os judeus se orgulhavam muito desse dom e diziam que antes deles, Deus oferecera a sua Lei a outros povos, mas eles a recusaram. Para agradecer a Deus por esta predileção, os israelitas instituíram uma festa: Pentecostes. O evangelista Lucas, afirmando que o Espírito descera sobre os discípulos, justamente no dia de Pentecostes, ou seja, cinquenta dias depois da Páscoa quer ensinar-nos que o Espírito havia substituído a antiga lei e se transformara na nova lei para o cristão.

A lei do Espírito é o coração novo, é a vida de Deus, que quando entra no homem o transforma e o torna capaz de produzir as obras de Deus, os frutos da paz, amor, justiça, fraternidade, perdão, acolhida, respeito, enfim, tudo aquilo que conduz para a vida. Quando o homem fica inundado pelo Espírito, nele acontece algo incrível: ama com o mesmo amor de Deus. O evangelista João chega a dizer que o homem animado pelo Espírito, se torna incapaz de pecar. O Espírito é um dom destinado a todos os homens e a todas as nações. Diante deste dom de Deus caem todas as barreiras de língua, raça ou nação. Os que se deixam transformar pela palavra do Evangelho e do Espírito, falam uma língua que todos compreendem e que a todos une: a linguagem do amor. É o Espírito que transforma a humanidade numa única família onde todos se entendem e se amam.

Desde o nascimento da Igreja, é o Espírito Santo que a conduz, anima, conforta, orienta, ensina e transforma. No dia de Pentecostes, os apóstolos estavam fechados no Templo, com medo dos judeus. A sua vinda incutiu neles uma coragem inexplicável, deixando para trás tudo aquilo que os impedia de evangelizar, anunciando com alegria a Boa Nova do Reino de Deus. Saíram e foram em missão, não temendo calúnias, mentiras, perseguições, prisões e até mortes. O Espírito, como um verdadeiro fogo, abrasava os seus corações e os conduzia pelas estradas árduas da evangelização. Saíram e foram, enfrentando dificuldades enormes, mas, em nenhum momento eles se arrependeram ou quiseram voltar para trás. O Espírito os movia sempre em frente, avançando e levando o Evangelho para novos lugares e fundando novas comunidades.

A festa de Pentecostes é a festa da igreja e do seu nascimento. Foi o Espírito Santo que a fundou, ele é o seu dono e é ele que a conduz e jamais a deixará, estando presente até o fim do mundo. Isso nos reconforta por um lado, mas, por outro, nos convida a abrirmos o nosso coração e a nos deixarmos guiar por ele. Quando ele age em nossa vida, de dentro de nós só pode exalar o perfume do amor, do compromisso, da gratuidade, do serviço, da doação, superando todo tipo de egoísmo, de inveja, de arrogância e de prepotência. Somos humanos e frágeis, limitados e finitos, mas o Espírito nos fortalece e nos anima e nos encoraja na missão.

Neste tempo de pandemia, de tantas divisões na sociedade, é hora de invocarmos a ação do Espírito Santo. Ele une, aproxima, nos faz irmãos, mesmo com idéias, visões diferentes, mas em vista do bem comum. A sua ausência cria divisões, discórdias, disputas, competição, gerando um verdadeiro caos. A sua presença, pelo contrário, transforma, porque quando Ele age a sua essência é o amor. E o verdadeiro amor pensa no bem do outro, se importa com o outro, se solidariza com a necessidade do outro. Vem Espírito Santo, vem!

Publicado na edição 1214 – 28/05/2020

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