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O lendário Delegado Bruno de Almeida e sua história



Na semana passada, estive na tradicional festa em louvor a Santo Antonio promovida anualmente pelo amigo e empresário Chiquinho Pereira em sua propriedade do Tatuquara. Encontro prestigiado por autoridades, lideranças e personalidades de toda a região, conheci lá o empresário Luiz Carlos Cavichiolo que me presenteou com o seu livro sobre a formação dos bairros Caximba e Campo do Santana, na divisa de Curitiba com Araucária. Tivemos uma animada conversa sobre aquela área que tão bem conheço por ter atuado ali como delegado de Polícia.

No mesmo evento, logo em seguida, conheci dois senhores que se apresentaram como netos do famoso Delegado Bruno de Almeida. Logo me veio à cabeça o nome da longa Avenida que corta os dois bairros descritos no livro que havia acabado de receber. Os netos trataram de esclarecer que o avô não foi delegado oficialmente nomeado ou concursado, mas era indicado pelas autoridades para a função e a exercia de modo informal. E me contaram histórias divertidas e que pude confirmar com a leitura do livro “Campo de Santana & Caximba”, de Cavichiolo.

Nascido como Francisco Bruno de Almeida em 4 de setembro de 1880, o “delegado” mudou-se para o Tatuquara 1910 ao se casar com dona Catarina, que era de família tradicional da região. Desse matrimônio, teve cinco filhos que lhe deram ao todo 17 netos. De 1918 a 1957, Bruno de Almeida serviu à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná. De 1918 a 1943, ocupou o cargo de Inspetor de Quarteirão tendo trabalhado de forma voluntária, sem qualquer remuneração. Foi nesse período que fez fama de homem rígido e de regras duras, muito respeitado por toda a comunidade.

Seus métodos, porém, não eram nada ortodoxos. Luiz Carlos Cavichiolo descreve no livro: “Contam que, se ele pegava um ladrão de galinhas, por exemplo (muito comum na época), fazia o ladrão andar pelas ruas gritando: ‘Oh, roubei galinha, estou indo preso agora’”. E, dessa forma, Bruno de Almeida foi ganhando prestígio também perante as autoridades estaduais. Até que, em outubro de 1944, foi nomeador pelo Interventor do Estado – o equivalente na época ao atual governador – como Primeiro Suplente do Sub-delegado de Polícia do Distrito de Umbará.

Dois anos depois, em 1946, deixou de ser suplente para assumir o posto de Sub-delegado de Polícia. Manteve-se nesse cargo até 1957, quando foi indicado para escrivão no Distrito do Tatuquara – bairro que surgiu do desmembramento do Umbará. Muito doente, o delegado Bruno de Almeida veio a falecer em 14 de dezembro de 1967, aos 87 anos de idade. Fiz questão hoje de falar um pouco desse livro para chamar a atenção dos moradores de Araucária sobre os dois bairros que, por muito tempo, serviram de porta de entrada para esta cidade industrial. E também para prestar uma pequena homenagem à grande figura do Delegado Bruno de Almeida.

 

 

 

Publicado na edição 1118 – 21/06/2018

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