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O machismo como argumento pra justificar incompetência


Um áudio que circulou entre grupos de uma rede social, provou que quando homens são confrontados por mulheres, um argumento, adjetivo ou jargão machista logo aparece. Numa reunião com representantes locais da Cultura entre o Secretário da pasta, mostrou o despreparo e o desrespeito do gestor. Este ao ser questionado agride verbalmente uma das participantes da reunião e ainda menciona que o prefeito Hissam teria mandado um recado: A participante precisaria de um homem!

Sem dúvida, não seria de homens machistas como esses, que a mulher agredida publicamente por um agente público, precisa. Seja ocupando cargos na administração pública, seja no âmbito privado. Alias é desse tipo de homem que a sociedade brasileira como um todo não precisa.

Infelizmente, agressores estão cheios por aí. E o pior é que muitas vezes, caminham orgulhosos de sua imbecilidade. Esses homens evidenciam sua incompetência diante dos bons argumentos de mulheres fortes e inteligentes, através da violência, do silenciamento, da ironia ou do desprezo. Não raro elevam o tom de voz, tentam intimidar com gestos e palavras. Jogo de cena machista, quem já assistiu sabe o quão deprimente é.

O Sismmar e o Sifar têm na sua maioria dirigentes sindicais mulheres, que já passaram por todo tipo de intimidação machista nos espaços institucionais. É uma situação que já é objeto de debate na organização das nossas reuniões. É previsível, mas nunca naturalizado. É combatido.

Dos 16 secretários, 3 são mulheres. Sendo uma delas a esposa do Prefeito, na Assistência Social. Perpetuando o primeiro-damismo na pasta, que também é expressão do machismo institucional. Ocupar lugar de decisão na vida pública às mulheres é duplamente difícil. Além de lutar contra a tentativa de silenciamento, é ter que muitas vezes equilibrar a participação em conselhos, sindicatos, associações com a dupla ou tripla jornada. E por isso, é preciso contar com o apoio de outras mulheres e dos homens, que optaram por desconstruir parte do machismo com que foram formados e respeitam a condição feminina.

O Secretário de Cultura demonstrou a severa incapaci­dade de lidar com a crítica e com isso, coloca em risco o papel social que cumpre a secretaria que administra. O áudio foi inad­missível, grotesco e é preciso ser reparado. A solidariedade das entidades sindicais à mulher agredida na defesa de políticas culturais é imensa. Mas ao secretário, é preciso a autocritica necessária para admitir que não é capaz de permanecer no cargo.

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