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O massacre de Paraisópolis é fruto da política de extermínio da juventude negra


A polícia elogiada pelo governador de São Paulo, João Dória, tirou a vida de nove jovens e adolescentes na última madrugada de domingo (1), durante operação em Paraisópolis, a segunda maior favela da capital paulistana. As vítimas tinham entre 14 e 23 anos. Oito meninos e uma menina. Sete negros e dois brancos.

A versão oficial é que os jovens foram pisoteados após a polícia encurralar em vielas o público de cerca de 5 mil pessoas que participavam de um baile funk na comunidade. No entanto, os moradores contestam a versão e denunciam que as vítimas foram assassinadas pela polícia militar, que aparece em inúmeros vídeos que circulam pelas redes sociais espancando jovens.

Este episódio em Paraisópolis é mais uma demonstração da política de extermínio da juventude negra. Na comunidade assolada pela pobreza e falta de lazer para as crianças, adolescentes e jovens, o baile funk é uma das expressões culturais mais fortes. O Baile da DZ7, como é chamado, é a única opção de diversão para muitos moradores da comunidade.

Mas, justamente por vir da cultura popular e espontânea que nasce das favelas, o baile funk é duramente reprimido no Brasil. Ao jovem negro e pobre não é permitida a diversão, apenas a repressão. Isso porque, antes mesmo de haver qualquer espécie de investigação, essa juventude já é criminalizada, culpada e condenada à morte pelo Estado. Quando não é espancada, é vítima das ‘balas perdidas’ que sempre encontram o corpo preto e pobre.

Que crime cometeram os jovens que participavam do baile funk em Paraisópolis? O divertimento em um baile regado a drogas, sexo e prostituição? Qual opção de lazer tem os moradores de Paraisópolis, que vivem à margem? sem direito a frequentar um shopping, teatro, cinema, obras de arte no Museu de Artes de São Paulo (Masp), ir ao centro ou a um show com alvará da prefeitura?

O único crime foi ser jovem, negro e pobre. Nas festas regadas a drogas, sexo e prostituição da elite paulistana a polícia militar não surge para reprimir ou implantar a “ordem”. Nas raves da burguesia paulistana e nas festas promovidas nos arredores da Mackenzie – uma das universidades privadas mais caras de São Paulo – a polícia militar não aparece para encurralar ou matar ninguém.

Esse é o trágico retrato de uma sociedade profundamente desigual na qual os filhos dos brancos e ricos podem se divertir, enquanto os filhos dos trabalhadores das favelas, em sua maioria negros, já estão condenados à morte.

Toda solidariedade às famílias de Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos; Luara Victoria de Oliveira, de 18 anos; Gustavo Cruz Xavier, de 14 anos; Eduardo Silva, de 21 anos; Dennys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos; Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos; Dennys Guilherme dos Santos Franco, de 16 anos; Mateus dos Santos Costa, de 23 anos; e Marcos Paulo Oliveira dos Santos, de 16 anos.

Que os responsáveis sejam punidos! A vida dos filhos da classe trabalhadora importa!

Publicado na edição 1192 – 05/12/2019

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